| Edição: 1ª |
| Publicação: 29 de outubro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 380 |
| Peso: 0.580 kg |
| Dimensões: 2.5 x 15.98 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6501686741 |
| ISBN-13: 9786501686745 |
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Nesta obra de fôlego historiográfico, Carolina M. Pacheco A. Araujo empreende uma jornada analítica pelas entranhas do Brasil formativo, abarcando desde o impacto inicial do encontro de mundos em 1500 até a consolidação das estruturas sociais e econômicas do final do século XVII. A autora afasta-se das narrativas meramente factuais e datadas para tecer uma história das mentalidades e das estruturas, onde o cotidiano, a religiosidade e as tensões étnicas ocupam o centro do palco. Com uma linguagem erudita e precisa, o texto revela como o território, inicialmente visto como um exótico “Éden” ou uma simples feitoria comercial, transformou-se em uma sociedade complexa, marcada por hibridismos, violências e resistências que moldaram o DNA da nação brasileira.
A primeira parte do volume dedica-se ao “achamento” e à subsequente exploração do pau-brasil, destacando a agência dos povos indígenas e o estranhamento mútuo que definiu os primeiros contatos. Araujo explora com rigor a transição da exploração extrativista para o sistema de Capitanias Hereditárias e o Governo-Geral, demonstrando como a Coroa Portuguesa tentou impor uma ordem administrativa em um território vasto e indômito. A análise do ciclo do açúcar é particularmente rica, descrevendo o engenho não apenas como uma unidade de produção econômica, mas como o núcleo de um sistema de poder patriarcal que definiu as hierarquias sociais. A autora mergulha na tragédia da escravidão africana, tratando-a como a base estruturante e dolorosa sobre a qual a economia colonial foi erguida, sem negligenciar as formas de resistência e a criação de espaços de negociação cultural.
Ao avançar para o final do século XVII, a obra detalha o período das invasões holandesas e a subsequente reconstrução do domínio luso, que impulsionou a busca por novas fontes de riqueza. O texto destaca o papel dos bandeirantes e das missões jesuíticas na expansão das fronteiras para além do Tratado de Tordesilhas, revelando as contradições entre a fé e o lucro. A autora examina a vida urbana incipiente e a vida rural profunda, onde a cultura barroca começava a florescer sob a égide da Igreja Católica, unificando simbolicamente um povo tão diverso. O volume encerra-se no limiar da descoberta do ouro, deixando o leitor com uma compreensão clara de que o Brasil deste período já não era uma mera extensão de Portugal, mas uma entidade nova, dotada de uma cultura própria, ainda que gestada sob o signo do conflito.
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