Coleção Rabelais: Obras completas de Rabelais - Rabelais, François

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Edição:
Publicação: 21 de agosto de 2023
Idioma: Português
Páginas: 1624
Peso: 2.73 Kg
Dimensões: 16.2 x 8.8 x 23.2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 655525159X
ISBN-13: 9786555251593

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Gargântua E Pantagruel - François Rabelais

A arquitetura do riso e a exaltação da carne

A publicação das obras completas de François Rabelais pela Editora 34, em tradução direta do francês médio, devolve ao leitor a crueza e a exuberância de um texto que fundou a modernidade por meio do grotesco. A saga dos gigantes Gargântua e seu filho Pantagruel não se resume a uma sucessão de anedotas escatológicas; ela constitui um manifesto humanista que celebra a liberdade do corpo e do intelecto contra as amarras do ascetismo medieval. A prosa de Rabelais transborda em listas infindáveis, neologismos audazes e uma erudição que devora clássicos gregos e latinos para os digerir em meio a banquetes e batalhas. O riso, nesta obra, assume uma função ontológica, agindo como o único remédio possível contra o dogmatismo e a hipocrisia das instituições eclesiásticas e jurídicas.

A pedagogia do gigantismo e a utopia de Thélème

O estilo rabelaisiano caracteriza-se por uma acumulação verbal vertiginosa, na qual o autor explora a sonoridade e a plasticidade da língua para construir um universo de excessos. Ao narrar a educação de Gargântua, o texto estabelece um contraste entre a escolástica estéril e a nova pedagogia renascentista, pautada pela curiosidade universal e pelo exercício físico. O ponto culminante desse ideal reside na fundação da Abadia de Thélème, cuja única regra — “Faz o que tu queres” — subverte a noção de clausura monástica em favor de uma comunidade de indivíduos nobres e instruídos. A tradução de Guilherme Gontijo Flores preserva o vigor desse vocabulário híbrido, permitindo que a sofisticação filosófica e a grosseria deliberada coexistam em uma harmonia vibrante e provocadora.

A estética do corpo grotesco

Rabelais utiliza as funções biológicas — o comer, o beber, o parir e o evacuar — como metáforas de uma vida que se recusa a ser contida por limites puritanos. O corpo do gigante é um mapa do mundo em expansão, em que cada gesto de excesso reafirma a vitória da vitalidade sobre a rigidez da morte e do silêncio.

A sátira como arma humanista

Através das figuras de Panurgo e Frei João, o autor disseca as falhas morais da sociedade de seu tempo com uma ironia que oscila entre a farsa popular e o debate acadêmico. A obra funciona como uma enciclopédia do saber e do saber-viver, desafiando o leitor a encontrar a “substância medular” escondida sob a aparência jocosa das narrativas.

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