| Edição: 1ª |
| Publicação: 15 de novembro de 2020 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 88 |
| Peso: 0.8 kg |
| Dimensões: 14 x 2 x 21 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 6555320354 |
| ISBN-13: 9786555320350 |
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A Hora da Estrela, de Clarice Lispector, foi publicado em 1977, pouco antes da morte da autora. É um romance emblemático, marco da literatura brasileira. A obra é marcada por uma escrita introspectiva, fragmentada e profundamente sensível, que revela a condição humana em sua forma mais crua e silenciosa.
A Hora da Estrela narra a história de Macabéa, uma jovem nordestina órfã que vive no Rio de Janeiro em condições precárias. Ela trabalha como datilógrafa, mora em um quarto alugado e se alimenta mal, mas não parece se dar conta da própria miséria. Macabéa é ignorada pelo mundo — e, de certa forma, ignora a si mesma. Sua vida é marcada pela invisibilidade, pela ausência de afeto e pela falta de perspectiva. No entanto, ela segue com uma espécie de inocência resignada, acreditando que tudo está como deveria estar.
A narrativa é conduzida por Rodrigo S. M., um narrador-escritor que reflete sobre o ato de escrever, sobre sua responsabilidade diante da história de Macabéa e sobre o abismo entre ele — intelectual, homem, privilegiado — e sua protagonista. O romance se constrói como um diálogo entre o narrador e sua consciência, entre a linguagem e o silêncio, entre o desejo de dar voz e o medo de não ser capaz.
Clarice Lispector cria uma obra que é ao mesmo tempo, denúncia social e meditação existencial. Macabéa representa os esquecidos, os que não têm lugar na narrativa oficial, os que vivem sem saber que vivem. Sua “hora da estrela” — o momento em que ela finalmente se torna protagonista de sua própria história — é também o instante de sua morte, revelando a ironia cruel da vida que só reconhece o outro quando é tarde demais.
Com uma linguagem que desafia convenções, marcada por rupturas sintáticas, reflexões filosóficas e lirismo seco, A Hora da Estrela é um grito silencioso sobre a condição feminina, a marginalidade e o poder da escrita. É uma obra que incomoda, emociona e transforma.