| Edição: 1ª |
| Publicação: 15 de fevereiro de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 144 |
| Peso: 0.240 kg |
| Dimensões: 16 x 0.8 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6555412259 |
| ISBN-13: 9786555412253 |
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Comprar LivroNesta obra fundamental, Pedro Paulo Funari e Francisco Silva Noelli empreendem uma tarefa de fôlego: restituir a dignidade histórica aos milênios de ocupação humana que antecederam a chegada das caravelas europeias. O texto, escrito com uma fluidez admirável e rigor científico impecável, rompe com a visão eurocêntrica que frequentemente relega o período pré-cabralino a um apêndice folclórico. Os autores apresentam o Brasil não como uma "terra virgem", mas como um cenário vibrante de diversidade cultural, sofisticação tecnológica e adaptação ecológica, onde diferentes grupos humanos forjaram civilizações complexas em biomas que variam da densa floresta amazônica aos cerrados e litorais.
A narrativa mergulha nas controvérsias e evidências sobre as primeiras migrações para a América do Sul, discutindo desde o paradigma de Clóvis até as descobertas revolucionárias em sítios como o Boqueirão da Pedra Furada, no Piauí, e Santa Elina, no Mato Grosso. Funari e Noelli detalham a cultura material dos povos caçadores-coletores e dos posteriores horticultores com uma precisão que torna o passado tangível. O leitor é conduzido pela análise de pontas de projétil, instrumentos de pedra lascada e, sobretudo, pela riqueza das tradições cerâmicas — como a Marajoara e a Tapajônica —, que revelam estratificações sociais e cosmologias sofisticadas. A obra enfatiza que a arqueologia brasileira é uma ferramenta de justiça histórica, revelando a ancestralidade de povos que ainda hoje lutam por seu reconhecimento e território.
Um dos pontos mais inovadores do volume é a discussão sobre a "floresta antropogênica". Os autores demonstram como a Amazônia e outros biomas não são apenas produtos da natureza intocada, mas o resultado de milênios de manejo e domesticação por parte das populações indígenas. Através do estudo das Terras Pretas de Índio e do cultivo de espécies como a mandioca e o milho, a obra evidencia uma integração simbiótica entre homem e meio ambiente. Ao concluir, Funari e Noelli reforçam que a Pré-história do Brasil não é um tempo morto, mas uma herança viva que persiste nas línguas, nos costumes e na própria paisagem brasileira, desafiando-nos a repensar nossa identidade nacional a partir de suas raízes mais profundas.