| Edição: 1ª |
| Publicação: 18 de julho de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.250 kg |
| Dimensões: 16 x 1 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6555412860 |
| ISBN-13: 9786555412864 |
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Nesta obra de fôlego analítico, Fernando Pureza propõe um exercício de descentramento historiográfico fundamental para o leitor lusófono. “História da Ásia” não se contenta em ser um compêndio de datas e dinastias; o autor articula uma narrativa que desafia a hegemonia da perspectiva ocidental, apresentando o continente asiático como o verdadeiro motor de dinâmicas globais ao longo de milênios. Com uma erudição que transita entre a economia política e a história cultural, Pureza desvela a Ásia como um mosaico de “mundos” — do Extremo Oriente ao Sudeste Asiático e ao Subcontinente Indiano — que, embora interconectados por rotas comerciais e fluxos religiosos, preservaram identidades singulares e estruturas de poder de uma sofisticação que muitas vezes precedeu e superou as europeias.
A análise inicia-se mergulhando nas fundações das civilizações fluviais e na consolidação de impérios que definiram paradigmas éticos e administrativos duradouros. O autor dedica capítulos primorosos à China das dinastias Han e Tang, demonstrando como o confucionismo e o sistema de exames imperiais criaram uma burocracia sem paralelos na Antiguidade e na Idade Média. Paralelamente, a obra explora a Índia dos impérios Máuria e Gupta, destacando o florescimento das ciências, da matemática e a expansão do budismo. Um dos pontos altos do texto é a descrição das “Rotas da Seda” e das redes marítimas do Índico, apresentadas não apenas como caminhos de mercadorias, mas como artérias por onde circularam tecnologias, filosofias e estéticas que moldaram a modernidade global muito antes da expansão marítima ibérica.
Ao abordar o período colonial e pós-colonial, Fernando Pureza evita a armadilha de retratar a Ásia como uma vítima passiva da agressão ocidental. Ele destaca as formas de resistência, as adaptações criativas e os processos de modernização defensiva, como a Restauração Meiji no Japão. O volume avança para o século XX, analisando as revoluções nacionais, o trauma das guerras e a subsequente ascensão dos “Tigres Asiáticos” e da China contemporânea. A obra conclui apontando para o que muitos chamam de “Século da Ásia”, sugerindo que o retorno do continente ao centro da economia e da geopolítica mundial não é uma anomalia, mas a restauração de um equilíbrio histórico que prevaleceu durante a maior parte da trajetória humana.
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