| Edição: 33ª |
| Publicação: 4 de abril de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 96 |
| Peso: 0.140 kg |
| Dimensões: 13.5 x 0.5 x 20.5 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6555874600 |
| ISBN-13: 9786555874600 |
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Em Sentimento do mundo, publicado em 1940, Carlos Drummond de Andrade opera uma transição fundamental em sua poética, abandonando o isolamento irônico e o “gauche” contemplativo de suas obras anteriores para abraçar o tumulto da história e a dor do outro. Escrito sob a sombra da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo no Brasil, o livro é um testemunho da sensibilidade ferida pelo espetáculo da desumanidade. O poeta, que outrora se via como um indivíduo isolado, agora sente que o seu “coração não é maior que o mundo”, mas sim que o mundo, com todas as suas injustiças e ruínas, habita o seu coração, gerando uma poesia de profunda responsabilidade ética e solidariedade social.
O estilo drummondiano nesta obra atinge uma maturidade onde a secura e a precisão se aliam a uma carga emocional represada. A linguagem é despojada de sentimentalismo fácil, optando por uma objetividade cortante que denuncia o absurdo do cotidiano bélico e a indiferença das estruturas de poder. Drummond utiliza o verso livre para registrar o ritmo de uma época fragmentada, onde a esperança parece um “tempo de homens partidos”. A ironia, embora presente, torna-se uma ferramenta de denúncia e não mais apenas um escudo protetor, revelando a consciência de um artista que não pode mais ignorar o clamor das massas e o esmagamento das liberdades.
A estrutura temática do volume gravita em torno da dialética entre o “eu” e o “nós”. Em poemas seminais como “Congresso Internacional do Medo” ou “Os Ombros Suportam o Mundo”, o autor diagnostica uma paralisia existencial coletiva, onde o medo se torna o cimento das relações sociais. Contudo, Drummond não se entrega ao niilismo; sua poesia busca, por meio do reconhecimento da tragédia, uma forma de união. Ele celebra a dignidade do trabalho e a resistência dos homens comuns, transformando o “sentimento do mundo” em uma força motriz para a transformação, ainda que reconheça a lentidão e a dificuldade desse processo diante do avanço da barbárie tecnológica e política.
A obra é um marco do Modernismo brasileiro por sua capacidade de fundir o universal e o particular. Ao mesmo tempo em que reflete sobre os conflitos globais, Drummond não perde de vista a paisagem mineira e a memória familiar, utilizando-as como âncoras de humanidade em um mar de abstrações ideológicas. O livro encerra-se com a percepção de que a poesia deve ser um instrumento de participação e não um refúgio de alienação. Sentimento do mundo permanece como um dos mais potentes manifestos literários sobre a necessidade de se habitar o tempo presente com os olhos abertos, transformando a angústia em consciência e o silêncio em palavra compartilhada.
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