| Edição: 1ª |
| Publicação: 30 de novembro de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.52 kg |
| Dimensões: 16 x 2 x 23 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 6555981415 |
| ISBN-13: 9786555981414 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroPublicado pela DarkSide Books em 2021, Inventário de Predadores Domésticos é uma coletânea de contos que mergulha nos horrores íntimos e cotidianos da vida brasileira. Com uma prosa afiada e atmosférica, Verena Cavalcante constrói narrativas que transitam entre o realismo brutal e o insólito, revelando o mal não como entidade externa, mas como força latente nas relações humanas, nos espaços domésticos e nas estruturas sociais.
A obra é dividida em partes, sendo a primeira composta por histórias contadas do ponto de vista de crianças — o que intensifica o impacto emocional e a sensação de vulnerabilidade. Os contos abordam temas como violência familiar, abandono, loucura, desejo e medo, sempre com uma linguagem precisa e poética.
Não há monstros clássicos aqui: os predadores são pais, mães, vizinhos, amantes — figuras que habitam o cotidiano e que, por isso mesmo, provocam o terror mais profundo.
Inventário de Predadores Domésticos é uma obra que fere — no melhor sentido literário. Como disse Kafka, “um livro deve ser o machado que quebra o mar gelado em nós”, e Verena Cavalcante empunha esse machado com destreza. Seus contos não buscam o susto, mas a inquietação duradoura, aquela que permanece depois da leitura, como uma sombra no canto da sala.
A escolha de narradores infantis em parte da obra é um acerto estético e ético: ao dar voz às crianças, a autora revela a brutalidade do mundo adulto com uma clareza dolorosa. A inocência confrontada com o horror cotidiano cria uma tensão que atravessa o livro como um fio cortante.
A linguagem é lírica sem ser ornamental, e o estilo de Verena lembra o de autoras como Mariana Enriquez e Lygia Fagundes Telles — com quem compartilha o interesse pelo feminino, pelo corpo e pela violência simbólica. Há também ecos de Rubem Fonseca e Dalton Trevisan, especialmente na concisão e na crueza de certas passagens.
Literatura de horror, sim, mas também de denúncia, de memória, de resistência. Um livro que transforma o ordinário em extraordinário, e que nos obriga a olhar para os predadores que habitam nossas casas, nossas histórias, nossas sombras.