| Publicação: 1 de novembro de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 192 |
| Peso: 0.220 kg |
| Dimensões: 24 x 15.5 x 2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6556390232 |
| ISBN-13: 9786556390239 |
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Comprar LivroPublicada originalmente em 1942 sob o título Zur Logik der Kulturwissenschaften (Para uma Lógica das Ciências da Cultura), esta obra representa o esforço final de Ernst Cassirer em fundamentar epistemologicamente as disciplinas que estudam o agir humano, como a história, a filologia e a sociologia. Cassirer, expoente máximo do neokantismo da Escola de Marburgo, transpõe sua célebre "Filosofia das Formas Simbólicas" para o campo metodológico. Ele argumenta que, enquanto as ciências da natureza buscam as leis universais que regem os objetos físicos, as ciências da cultura buscam compreender o "sentido" cristalizado nos produtos do espírito humano. A erudição de Cassirer manifesta-se na distinção entre o "conceito de coisa" e o "conceito de forma", sustentando que a cultura não é uma coleção de objetos, mas uma rede de atos simbólicos.
O autor propõe que o ser humano não vive em um universo puramente físico, mas em um universo simbólico, composto pela linguagem, pelo mito, pela arte e pela ciência. As ciências da cultura, portanto, não devem imitar os métodos da física, pois seu objeto não é o dado sensível bruto, mas a expressão da subjetividade humana em formas objetivas.
Um dos pontos mais profundos da obra é a análise da dualidade entre a percepção das propriedades físicas e a percepção das qualidades expressivas. Cassirer demonstra que o mundo cultural nos é dado primeiramente como um "mundo de expressões" (Ausdruckswelt). Quando olhamos para uma obra de arte ou um documento histórico, não vemos apenas pigmentos ou papel, mas a fisionomia de uma época e o testemunho de uma consciência. O autor argumenta que a lógica das ciências da cultura deve ser capaz de captar essa "compreensão do outro", superando o abismo entre o sujeito e o objeto através da análise da forma simbólica que os une.
A qualidade editorial do texto revela o compromisso de Cassirer com a unidade da cultura. Ele recusa o determinismo histórico e o relativismo radical, defendendo que, embora as formas culturais variem imensamente no tempo e no espaço, elas compartilham uma função estrutural comum: a busca pela autolibertação do homem através da criação de um mundo de significados. A ciência da cultura é, para Cassirer, uma "antropologia filosófica" que estuda o homem não pelo que ele é biologicamente, mas pelo que ele faz e cria.
Ciências da cultura é também uma obra de resistência intelectual. Escrita durante o exílio de Cassirer nos Estados Unidos, enquanto a Europa era devastada pelo totalitarismo, a obra reafirma a dignidade do espírito humano e a importância da razão crítica. Cassirer alerta que a redução da cultura a leis puramente biológicas ou sociológicas mecânicas abre caminho para a desumanização. Ele conclui que o objetivo último dessas ciências é iluminar a unidade da consciência humana por trás da diversidade de suas manifestações, transformando o "caos" das impressões históricas na "ordem" da autocompreensão cultural.
A análise permanece fundamental para quem busca entender a fundamentação das humanidades. Cassirer estabelece que o conhecimento cultural é tão rigoroso quanto o científico, desde que compreenda que sua exatidão não reside na medição numérica, mas na clareza do discernimento das formas e dos valores que orientam a vida humana.