| Edição: 26ª |
| Publicação: 13 de janeiro de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 204 |
| Peso: 0.240 kg |
| Dimensões: 22.6 x 15.2 x 0.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6556401382 |
| ISBN-13: 9786556401386 |
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Comprar LivroPublicado em 1938, A náusea é o romance filosófico que antecipa as teses fundamentais do existencialismo de Jean-Paul Sartre. Escrito sob a forma de um diário íntimo, o livro narra a trajetória de Antoine Roquentin, um historiador solitário que vive na cidade portuária de Bouville. A erudição da obra manifesta-se na habilidade de Sartre em converter conceitos ontológicos densos em sensações físicas viscerais. A "náusea" do título não é um mal-estar biológico, mas uma revelação metafísica: a percepção súbita e aterradora de que a existência é gratuita, supérflua e desprovida de qualquer justificativa necessária.
Roquentin experimenta o desmoronamento das categorias com as quais os homens costumam ordenar a realidade. Ao observar a raiz de uma castanheira, ele percebe que as palavras, os nomes e as funções dos objetos são apenas uma camada superficial que oculta a abundância obscena e injustificada da matéria. A sobriedade da prosa sartriana capta com precisão o momento em que o mundo deixa de ser um cenário familiar para se tornar uma massa de "ser" opaca e contingente. O protagonista descobre que as coisas simplesmente "estão aí", sem razão de ser, e que ele próprio é "de sobra" no universo.
A narrativa explora o contraste entre a autenticidade de Roquentin e a hipocrisia dos burgueses de Bouville, os "salafrários" que acreditam na necessidade de suas vidas e na importância de seus direitos adquiridos. Através do personagem do Autodidata, que tenta consumir todo o conhecimento humano em ordem alfabética, Sartre critica o humanismo ingênuo e a busca por um sentido pronto. A qualidade editorial do romance reside na forma como a crise existencial do herói o conduz a uma solidão radical, onde a ausência de Deus e de um destino prévio o obriga a confrontar a sua liberdade absoluta.
No desfecho da obra, surge uma nota de esperança estética. Roquentin vislumbra na música (especificamente em uma canção de jazz), uma forma de ser que, ao contrário da existência humana, possui o rigor e a necessidade de uma estrutura matemática. A técnica narrativa sugere que a criação artística poderia ser uma tentativa de justificar a própria existência, transformando a contingência da vida na necessidade de uma obra. A náusea permanece como um dos registros mais poderosos da angústia moderna, definindo o homem como um ser que deve inventar a si diante do silêncio de um mundo indiferente.