| Edição: 1ª |
| Publicação: 9 de março de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 88 |
| Peso: 0.140 kg |
| Dimensões: 20.6 x 13.6 x 1 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6556921041 |
| ISBN-13: 9786556921044 |
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Djaimilia Pereira de Almeida, nascida em Luanda (Angola), constrói sua narrativa a partir de uma figura mencionada em Os Pescadores (1923), de Raul Brandão: o capitão Celestino, ex-comandante de um navio negreiro.
A história acompanha os últimos dias de Celestino, que retorna a Portugal após uma vida marcada pela violência e pela escravização de pessoas africanas. Velho, solitário e sem remorso, ele dedica-se ao cultivo de um jardim, enquanto sua casa permanece abandonada e sua reputação manchada.
O protagonista não busca redenção, mas convive com fantasmas de suas vítimas e com a desaprovação da comunidade. Manuel, um jovem que aparece em momentos-chave, é o único que demonstra preocupação com o bem-estar do capitão. Celestino morre e é enterrado com as flores que cultivou, numa metáfora poderosa: mãos outrora sujas de sangue agora se sujam de terra.
Narrador observador, quase onisciente, alternando com breves fluxos de consciência em primeira pessoa.
Linguagem poética, densa e por vezes arcaica, que contrasta com a brutalidade da vida do protagonista.
Uso recorrente da personificação das plantas, que funcionam como espelho e metáfora da condição humana.
Colonialismo e escravidão: a obra expõe a violência colonial sem romantização ou julgamento moral explícito.
Memória e silenciamento: Celestino não se arrepende, mas sua história revela como sociedades lidam com crimes históricos sem responsabilização.
Ambiguidade moral: o capitão é simultaneamente cruel e cuidador, figura que provoca repulsa e fascínio.
Natureza como metáfora: o jardim simboliza tanto a tentativa de domesticar a vida quanto a indiferença da natureza diante das atrocidades humanas.
A obra dialoga diretamente com história, ao tratar da escravidão e da violência colonial; com filosofia, ao levantar questões éticas sobre culpa, memória e indiferença e com sociologia, ao expor como sociedades silenciam crimes históricos e naturalizam desigualdades.
O jardim é metáfora da tentativa de domesticar a vida, mas também da indiferença da natureza diante da crueldade humana.
As plantas funcionam como testemunhas silenciosas, que não julgam nem absolvem, mas seguem seu ciclo vital.
Celestino como colonizador: antes controla pessoas, depois controla plantas — ambas privadas de liberdade.
Linguagem poética, por vezes truncada, que exige esforço do leitor.
Alternância entre narrador observador e fluxo de consciência, intensificando a experiência subjetiva.
Uso de imagens sensoriais e personificação, que tornam o texto lírico e, ao mesmo tempo, desconfortável.
Alguns leitores destacam a beleza e densidade da escrita, outros apontam dificuldade pela linguagem arcaica e descritiva.
Há quem veja o livro como uma reflexão filosófica mais do que uma narrativa linear.
A obra provoca desconforto proposital: não busca redenção nem julgamento, mas expõe a crueldade nua e crua.
Segundo lugar no Prêmio Oceanos 2020.
Reconhecida pela crítica como uma obra que articula literatura, filosofia, história e sociologia.
A autora recebeu em 2025 o Prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto da sua obra.
A Visão das Plantas é uma narrativa breve, mas intensa, que confronta o leitor com a crueldade do passado colonial português e a indiferença do protagonista diante de seus crimes. O contraste entre a brutalidade da escravidão e a delicadeza do cultivo das plantas cria uma atmosfera poética perturbadora. Trata-se de uma obra que exige paciência e atenção, mas recompensa com reflexões profundas sobre memória, violência e humanidade.
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