As origens do mal: Uma história do pecado original - Minois, Georges

Edição:
Publicação: 20 de outubro de 2021
Idioma: Português
Páginas: 456
Peso: 0.70 kg
Dimensões: 16 x 4 x 23 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 6557110624
ISBN-13: 9786557110621

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As origens do mal - Georges Minois

"As origens do mal: Uma história do pecado original" é um livro do historiador francês Georges Minois, famoso por suas obras de síntese sobre as mentalidades e as grandes questões existenciais, como a história do riso, do ateísmo e do inferno.

📜 Conteúdo e perspectiva

O livro de Minois é uma vasta história intelectual e cultural que rastreia a evolução da doutrina do Pecado Original no pensamento ocidental, desde a Antiguidade até os tempos modernos.

A grande pergunta: A obra é motivada pela pergunta: "Quem é o responsável pelas infelicidades que esmagam a humanidade?"

O mito de Adão e Eva: Minois mostra como os primeiros pais da Igreja (após hesitações e debates) buscaram no mito bíblico de Adão e Eva a explicação definitiva para a origem do sofrimento e da corrupção inerente à natureza humana.

A dogmatização: O historiador dedica atenção especial ao Concílio de Trento (século XVI) na Contrarreforma, onde a doutrina foi rigidamente formulada como um dogma fundamental da fé católica, reafirmando que a "falta do primeiro homem corrompeu a natureza humana".

Impacto na moral: Minois explora as consequências dessa dogmatização, mostrando como a doutrina do pecado original moldou profundamente a moral cristã, a visão da sexualidade, e, de forma mais ampla, a imagem do homem no Ocidente.

🔎 Estrutura e escopo

Minois aborda o tema com uma erudição que se estende para além do Cristianismo, seguindo uma estrutura cronológica e temática:

Pré-história do pecado: O autor investiga as raízes da ideia do mal herdado em diversas culturas e mitologias da Antiguidade, incluindo a tradição judaica (com a exegese do Gênesis) e a influência do dualismo persa (Zoroastrismo).

Dogmatização cristã: Ele analisa a lenta e complexa formulação da doutrina pelos Pais da Igreja, com ênfase no papel de Santo Agostinho, que transformou a simples desobediência de Adão em uma mancha de culpa transmitida por via hereditária a toda a humanidade.

Desenvolvimento e desafio: O livro acompanha como a doutrina foi utilizada e debatida ao longo dos séculos (na Idade Média, durante a Reforma Protestante, e no Concílio de Trento), e como ela foi posta em xeque pelo Iluminismo.

🤝 Três tradições e o mal

Um ponto de destaque do trabalho de Minois é a comparação entre as religiões monoteístas no que tange à origem do mal:

Ele contrasta a maneira como o Judaísmo (que tende a focar na inclinação individual para o mal, yetzer hara) e o Islamismo (que enfatiza o esquecimento e a fraqueza humana, mas não uma culpa intrínseca e hereditária) lidam com o mal, em relação ao Cristianismo Ocidental (que, influenciado por Agostinho, estabeleceu o mal como uma condição inerente à natureza humana).

💡 Crítica e desafios da modernidade

Minois conclui analisando o destino da doutrina na era contemporânea:

O Iluminismo atacou o pecado original porque ele contradizia a crença na bondade inata da natureza humana.

A ciência e a psicologia (especialmente o evolucionismo e a psicanálise) forneceram explicações para o sofrimento e a imoralidade que não dependem mais de um evento mítico no Éden.

A doutrina, embora ainda presente na teologia, perdeu muito de seu poder explicativo e de sua centralidade na cultura secular do Ocidente, transformando-se de um fato histórico (a queda de Adão) em um símbolo da imperfeição humana.

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