| Edição: 1ª |
| Publicação: 11 de dezembro de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 368 |
| Peso: 0.460 kg |
| Dimensões: 13.7 x 2.1 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6557112457 |
| ISBN-13: 9786557112458 |
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Comprar LivroPublicado originalmente em 1949 sob o título Meaning in History, esta obra de Karl Löwith é um dos pilares da crítica à modernidade e à historiografia ocidental. A tese central de Löwith é provocadora e rigorosa: a filosofia da história moderna, que se pretende racional e secular, nada mais é do que uma "teodiceia secularizada". O autor argumenta que a noção de progresso infinito e o sentido teleológico que atribuímos aos eventos históricos não derivam de uma observação empírica da realidade, mas são subprodutos transmutados da escatologia cristã. Enquanto os antigos gregos viam a história como um ciclo eterno de retorno, a modernidade herdou do judeu-cristianismo a visão de um tempo linear que caminha para um fim redentor, ainda que tenha substituído a "Salvação" pelo "Progresso".
A erudição de Löwith manifesta-se no método regressivo que aplica à obra. Ele inicia sua análise pelos filósofos do século XIX e recua até as fontes bíblicas, demonstrando como cada sistema filosófico — de Marx a Hegel, de Voltaire a Agostinho — tentou dar uma resposta à questão do "sentido" que a história, por si só, não possui.
Löwith realiza um escrutínio detalhado sobre como pensadores como Marx e Comte converteram a esperança messiânica em utopias sociopolíticas. Para o autor, o materialismo histórico de Marx é uma versão secularizada da espera pelo Reino de Deus, onde a classe proletária assume o papel do povo eleito e a revolução substitui o Juízo Final. Ele aponta que essa transferência de conceitos criou uma "pretensão de conhecimento" perigosa: ao acreditar que o sentido da história pode ser decifrado e controlado pelo homem, a modernidade abandonou a humildade perante o destino que caracterizava os antigos e a confiança na providência que definia os medievais.
O autor dedica capítulos magistrais a Santo Agostinho e Joaquim de Fiore. Agostinho é apresentado como aquele que separou a história profana da história da salvação, negando que os eventos políticos tivessem um sentido espiritual intrínseco. Já Joaquim de Fiore é identificado como o ponto de inflexão fatal: ao tentar periodizar a ação divina na história (a Idade do Pai, do Filho e do Espírito Santo), ele abriu caminho para que a modernidade tentasse "imanentizar" o escatológico, buscando o paraíso dentro do tempo histórico, o que resultou nas grandes ideologias totalitárias do século XX.
A conclusão de Löwith é sóbria e, de certa forma, cética. Ele sustenta que o homem moderno vive em um impasse: não pode mais retornar à visão cíclica do cosmos pagão, pois sua consciência é irreversivelmente marcada pelo cristianismo, mas também não pode sustentar racionalmente a fé no progresso após as catástrofes da história recente. A qualidade editorial da obra é reafirmada pela sua capacidade de expor a desorientação existencial de uma cultura que perdeu sua âncora teológica, mas continua a usar as ferramentas conceituais da teologia para tentar justificar sua existência.
A análise de O sentido na história permanece essencial para a filosofia política e a historiografia. Löwith nos lembra que a história, destituída de seus pressupostos teológicos, é um fluxo de eventos sem um propósito imanente. Ele sugere que a busca por um "sentido final" na política e na história é uma busca por uma transcendência que a própria história não pode oferecer, alertando para os perigos de se transformar a contingência dos fatos em uma nova religião secular.