| Edição: 1ª |
| Publicação: 14 de novembro de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 464 |
| Peso: 0.580 kg |
| Dimensões: 13.7 x 2.6 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6557112511 |
| ISBN-13: 9786557112519 |
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Esta obra póstuma, que reúne ensaios, notas de cursos e documentos inéditos de Alexandre Koyré, oferece um panorama privilegiado da evolução intelectual de um dos maiores historiadores do pensamento científico do século XX. Koyré, cujo trabalho redefiniu a nossa compreensão da Revolução Científica, demonstra nestes escritos que a ciência não surge de uma acumulação linear de fatos, mas de uma transformação profunda na estrutura do próprio pensamento humano. A tese que perpassa o volume é a de que a ciência moderna possui raízes profundas na metafísica e na mística, e que a transição do cosmo fechado dos antigos para o universo infinito dos modernos foi, antes de tudo, uma revolução teológica e filosófica.
A erudição de Koyré manifesta-se na sua capacidade de traçar as pontes entre o misticismo especulativo de figuras como Jacob Boehme e o rigor matemático de Isaac Newton. Ele argumenta que o pensamento científico nunca é “puro”, mas está sempre imerso em uma visão de mundo (Weltanschauung) que define o que é possível e o que é inteligível em cada época.
Koyré dedica grande atenção ao processo que ele denomina de “matematização da natureza”. Nestas conferências, ele detalha como a física galileana e cartesiana rompeu com a percepção sensível — o mundo das qualidades, das cores e dos sons — para instaurar um universo de formas geométricas e movimentos mensuráveis. Para Koyré, a ciência moderna “destruiu o cosmo”, a ordem harmoniosa e hierarquizada da Antiguidade, para substituí-lo por uma extensão infinita e homogênea governada por leis impessoais. Este processo não foi apenas técnico, mas uma decisão espiritual de buscar a verdade apenas naquilo que pode ser expresso em linguagem matemática.
Os documentos reunidos mostram também o interesse de Koyré pela mística alemã do século XVII, evidenciando como a busca por uma união direta com o divino forneceu categorias conceituais de infinito e de onipresença que, paradoxalmente, facilitaram a aceitação de um universo sem limites físicos. A qualidade editorial do volume permite observar o rigor metodológico de Koyré, que trata os erros e os impasses da história da ciência com a mesma seriedade que dedica às suas grandes descobertas, pois são nesses momentos de crise que as estruturas fundamentais do pensamento se tornam visíveis.
A obra culmina em uma reflexão sobre as consequências éticas e existenciais da revolução científica. Koyré aponta para o abismo que se abriu entre o “mundo da vida” (o cotidiano humano) e o “mundo da ciência” (a realidade física abstrata). Ao transformar o universo em um mecanismo, a ciência moderna arriscou alienar o homem da natureza. A leitura destes documentos revela um historiador profundamente preocupado com a unidade da cultura humana, defendendo que a separação entre as “duas culturas” — a científica e a humanística — é uma distorção que ignora a origem comum de ambas na busca da alma humana pela verdade.
Da mística à ciência permanece como uma obra essencial para filósofos e cientistas que buscam compreender os pressupostos invisíveis do nosso conhecimento. Koyré nos ensina que para entender a ciência contemporânea, é preciso retornar aos seus fundamentos metafísicos, reconhecendo que a luz da razão moderna foi acesa nas fogueiras da especulação mística e teológica.
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