O diabo: Uma biografia - Almond, Philip Charles

Edição:
Publicação: 21 de abril de 2021
Idioma: Português
Páginas: 344
Peso: 0.37 kg
Dimensões: 20.83 x 13.21 x 1.78 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 6557130803
ISBN-13: 9786557130803

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O Diabo: Uma biografia - Philip Almond

Publicada em 2014, "O Diabo: Uma biografia" (The Devil: A New Biography) é uma pesquisa histórica e cultural abrangente sobre como o conceito de Satanás ou do Diabo evoluiu nas tradições judaico-cristãs e moldou o pensamento ocidental.

😈 O Conteúdo principal

Almond adota uma abordagem histórica e biográfica para traçar o "perfil" do Diabo, tratando-o como um personagem cuja identidade e poder mudaram drasticamente ao longo dos séculos.

A Evolução da Figura: O livro demonstra que a figura do Diabo não é estática. Ele não aparece totalmente formado nas escrituras; na verdade, ele é uma construção lenta e progressiva, influenciada por diversas culturas e eventos históricos.

No Judaísmo Antigo, a figura que se tornaria Satanás era mais um promotor da justiça divina (um procurador cósmico) do que um ser maligno.

No Cristianismo Primitivo, ele se transforma no adversário de Deus e no arquiteto do mal.

O Auge do Poder: Almond se aprofunda no período medieval e moderno, quando a crença no Diabo atingiu seu ápice. Ele examina o papel da demonologia, a consolidação da ideia do Pacto com o Diabo e a influência do medo satânico na caça às bruxas.

O Declínio: O livro acompanha o lento declínio da crença literal no Diabo a partir do Iluminismo (século XVIII). A figura demoníaca passa de uma presença real e física para uma metáfora do mal psicológico ou social, embora persista fortemente na cultura popular contemporânea.

🔬 Metodologia: A biografia cultural

Almond utiliza a ideia de "biografia" de forma metafórica e cultural. Ele não está escrevendo sobre uma pessoa real, mas sobre a história de um conceito, a identidade e as características do Diabo.

História da mudança: A principal força da obra é mostrar que a única constante na história do Diabo é a mudança. Demonstra que as características que hoje associamos a Satanás (chifres, tridente, cor vermelha) são, na maioria, invenções medievais e modernas, e não elementos bíblicos.

A "morte" e o retorno: O formato biográfico permite a Almond analisar o que ele chama de "morte" do Diabo (quando o Iluminismo o transformou em uma metáfora) e sua subsequente "ressurreição" e adaptação na cultura popular contemporânea (cinema, literatura, música), mostrando sua durabilidade simbólica.

😈 O Diabo e a responsabilidade humana

Um ponto crucial que Almond aborda é a tensão entre o Diabo como causa do mal e a responsabilidade moral humana:

Transferência de culpa: Durante o auge da crença demonológica (Idade Média e Moderna), a figura do Diabo serviu muitas vezes para explicar o inexplicável e transferir a culpa pelos pecados e males sociais. Em vez de admitir a capacidade humana para a crueldade (como a heresia ou o crime), era mais fácil atribuir a causa a uma força externa e sobrenatural.

O adversário externo: Ao analisar a evolução do conceito, Almond ajuda a separar o mal metafísico (Satanás como força cósmica) do mal humano e social. O Diabo, como uma biografia cultural, reflete as preocupações, a moral e a autoimagem das sociedades que o criaram.

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