| Edição: 1ª |
| Publicação: 25 de janeiro de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 224 |
| Peso: 0.330 kg |
| Dimensões: 13 x 1.2 x 19.5 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 6557136275 |
| ISBN-13: 9786557136270 |
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Comprar LivroGarry J. Shaw, com a precisão de um egiptólogo e a sensibilidade de um narrador clássico, conduz o leitor a uma incursão profunda pelo imaginário da civilização faraônica, onde o mito não é uma fábula pretérita, mas a própria tessitura da realidade. A obra afasta-se das simplificações enciclopédicas para explorar a mentalidade egípcia em sua plenitude, revelando como a alternância entre a ordem, representada por Maat, e o caos primordial, personificado por Isfet, ditava o ritmo da vida, da política e da espiritualidade. Através de uma linguagem erudita e fluida, Shaw reconstrói os cenários onde os deuses não eram apenas figuras de culto, mas forças dinâmicas que habitavam o sol, a inundação e o silêncio dos túmulos.
O autor disseca com detalhismo as complexas relações entre as divindades, explorando as variações teológicas de Heliópolis, Memphis e Tebas. Shaw não se limita a relatar o ciclo de Osíris ou as navegações de Rá; ele analisa a substância desses relatos, demonstrando como as metamorfoses divinas refletiam as transformações da própria sociedade egípcia. A prosa de Shaw ilumina a natureza multifacetada de figuras como Ísis e Seth, apresentando-os sob uma óptica que integra a magia, o poder e a necessidade humana de conferir sentido ao inexplicável. A obra funciona como uma cartografia do sagrado, onde cada lenda é uma peça de um mosaico que busca explicar a origem do mundo e o destino da alma após o ocaso da vida.
Um dos pontos mais perspicazes da obra reside na análise de como o mito legitimava a autoridade do faraó, o elo vivo entre os deuses e os homens. Shaw demonstra que a repetição ritualística das lendas servia para garantir a estabilidade do universo, transformando a palavra narrada em um ato de manutenção cósmica.
Ao concluir este guia, Garry J. Shaw reafirma a perenidade dos mitos egípcios como matrizes fundamentais do pensamento ocidental. Sua abordagem evita o anacronismo, permitindo que as vozes dos antigos egípcios ressoem com sua própria autoridade e mistério. A obra é um convite à contemplação de um tempo em que o sagrado era onipresente, oferecendo ao leitor contemporâneo uma chave de ouro para compreender não apenas uma cultura desaparecida, mas os anseios universais por transcendência e ordem. É um monumento literário que honra a complexidade de um povo que viu, na curva de um rio e no movimento dos astros, a escrita indelével do divino.