| Edição: 1ª |
| Publicação: 30 de agosto de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 326 |
| Peso: 0.460 kg |
| Dimensões: 16 x 1.5 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6557138197 |
| ISBN-13: 9786557138199 |
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Comprar LivroNesta obra fundamental para a arqueologia bíblica e os estudos de religião comparada, Mark S. Smith desconstrói a ideia de que o monoteísmo israelita surgiu de forma súbita ou isolada. Por meio de uma análise rigorosa que combina evidências epigráficas, textos ugaríticos e a própria literatura bíblica, Smith demonstra que o Deus de Israel, Yahweh, não era originalmente a única divindade adorada pelo povo, mas sim um integrante de um panteão cananeu mais amplo. A narrativa traça a trajetória de como Israel se diferenciou gradualmente de seus vizinhos mediante processos de convergência e diferenciação religiosa.
O autor explora o período que vai dos Juízes até o Exílio na Babilônia, revelando que muitas características atribuídas a Yahweh foram, na verdade, herdadas de divindades como El, Baal e Asherah. O texto é um exercício de alta qualidade editorial que remove as camadas de tradições posteriores para encontrar o núcleo das práticas rituais da Idade do Ferro.
Um dos pilares do argumento de Smith é o conceito de convergência, onde as qualidades de divindades distintas foram absorvidas pela figura de Yahweh. El, o deus supremo cananeu e patriarca do panteão, forneceu o modelo de benevolência e justiça, enquanto elementos de Baal, o deus da tempestade, foram incorporados à teofania e ao imaginário de poder divino de Israel. Smith também aborda a presença de Asherah, discutindo se ela era adorada como uma consorte de Yahweh ou se o termo se referia a um símbolo cultual, revisitando a complexidade da religiosidade popular antiga.
A diferenciação, por outro lado, ocorreu à medida que as fronteiras identitárias de Israel se tornavam mais rígidas. O livro detalha como a monolatria — o culto exclusivo a uma divindade sem negar a existência de outras — evoluiu lentamente para o monoteísmo ético e metafísico que conhecemos hoje, impulsionado por mudanças sociopolíticas e pela centralização do culto em Jerusalém.
A escrita de Mark S. Smith é densa e erudita, mas marcada por uma clareza que guia o leitor por labirintos teológicos complexos. Ele evita cair em anacronismos, tratando as fontes bíblicas não apenas como documentos sagrados, mas como artefatos históricos que refletem as tensões de seu tempo. Ao integrar as descobertas de Ugarit (atual Ras Shamra) com a exegese bíblica, Smith oferece uma visão revolucionária que humaniza a história da fé e amplia a compreensão sobre as raízes culturais do Ocidente.
História primitiva de Deus é indispensável para quem busca entender a Bíblia sob uma ótica acadêmica, despida de dogmatismos, focando na transformação de uma cultura cananeia regional em uma das tradições religiosas mais influentes da humanidade.