| Edição: 1ª |
| Publicação: 08 de março de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 168 |
| Peso: 0.19 kg |
| Dimensões: 21 x 13.8 x 0.8 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 6559210219 |
| ISBN-13: 9786559210213 |
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Comprar LivroMais do que recontar um episódio, O som do rugido da onça propõe uma reflexão sobre o que significa lembrar, resistir e criar diante da brutalidade histórica. É uma obra que desafia o leitor a repensar a relação entre ciência e poder, entre memória e esquecimento, entre o humano e o não humano. Ao dar protagonismo às crianças indígenas, Verunschk devolve-lhes a dignidade roubada e inscreve seus nomes na literatura brasileira contemporânea com força e beleza.
O som do rugido da onça, de Micheliny Verunschk, é um romance histórico-literário que reconstrói, com lirismo e indignação, um episódio real e pouco conhecido da história brasileira: o sequestro de duas crianças indígenas por naturalistas europeus no século XIX. Em 1817, os alemães Johann Baptist von Spix e Carl Friedrich Philipp von Martius desembarcaram no Brasil com a missão de catalogar espécies da fauna e da flora. Três anos depois, ao retornarem à Europa, levaram consigo não apenas espécimes naturais, mas também dois seres humanos — uma menina e um menino indígenas, arrancados de suas terras e levados como “exemplares vivos” para Munique. Lá, morreram pouco tempo depois, vítimas do frio, da solidão e do exílio.
Micheliny Verunschk transforma esse fato histórico em matéria literária, criando uma narrativa polifônica e profundamente sensível. Os protagonistas — aqui nomeados como Iñe-e e Juri — ganham voz, memória e subjetividade. A autora abandona a historiografia oficial e dá lugar à imaginação, à ancestralidade e à escuta dos silenciados. O romance alterna pontos de vista, entrelaça tempos e espaços, e constrói uma linguagem que mistura o poético, o mítico e o político. A floresta, os cantos, os sonhos e os traumas compõem um universo onde o colonialismo é denunciado não apenas como violência física, mas como apagamento simbólico.