| Edição: 1ª |
| Publicação: 26 de abril de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 264 |
| Peso: 0.290 kg |
| Dimensões: 21 x 14 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559210413 |
| ISBN-13: 9786559210411 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroPublicado em 2021, o segundo romance de Aline Bei consolida a estética da autora, caracterizada pelo uso de uma mancha gráfica que emula a estrutura do verso para narrar a prosa. A obra acompanha a trajetória de Júlia, uma jovem marcada pela instabilidade emocional de uma estrutura familiar fragmentada e pela relação ríspida com a mãe. A narrativa organiza-se em torno da percepção de que a vida adulta é uma tentativa de organizar os destroços deixados pela infância. A autora utiliza a quebra de linhas não como um recurso meramente poético, mas como um registro das hesitações, silêncios e interrupções que compõem a subjetividade da protagonista.
O texto evita a linearidade convencional para focar em momentos que definem a solidão de Júlia. O divórcio dos pais e a convivência com uma figura materna que oscila entre a negligência e a agressividade verbal estabelecem o tom de uma existência pautada pela vigilância. A escrita de Bei distancia-se do excesso descritivo para concentrar-se na precisão das ações e na crueza das falas, construindo uma personagem que tenta encontrar, por meio da escrita e do movimento, uma forma de pertencer a um mundo que lhe parece hostil ou indiferente.
O romance explora a corporalidade de Júlia como o território onde as marcas do passado se manifestam. A relação com a comida, o contato físico e a ocupação dos espaços são descritos sob a ótica de alguém que aprendeu a se diminuir para não incomodar. A "coreografia" referenciada no título sugere o movimento ensaiado de aproximação e afastamento que a protagonista executa em relação aos seus afetos e à sua própria história. Ao buscar a independência, Júlia depara-se com a dificuldade de romper com os padrões de comportamento herdados, revelando o esforço necessário para transitar da condição de filha para a de um indivíduo autônomo.
A técnica narrativa permite que o leitor acompanhe o fluxo de consciência de Júlia sem os filtros de uma narração onisciente tradicional. A qualidade da obra reside na habilidade de expor a vulnerabilidade humana sem recorrer a artifícios dramáticos, mantendo um rigor estilístico que privilegia o essencial. O adeus, nesse contexto, não é um evento súbito, mas um processo lento de desidentificação com as expectativas alheias e de aceitação da própria identidade, por mais incompleta que esta possa parecer.