Contos reunidos - Veiga, José Jacinto

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Edição:
Publicação: 18 de junho de 2021
Idioma: Português
Páginas: 536
Peso: 0.650 kg
Dimensões: 21 x 13.4 x 3.2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 6559210812
ISBN-13: 9786559210817

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Contos reunidos - José J. Veiga

A cartografia do insólito na prosa curta

Reunir a produção de José Jacinto Veiga em um único volume é, em última análise, mapear os abismos e as belezas de um Brasil transfigurado pela lente do fantástico. “Contos reunidos” congrega a herança de obras fundamentais como “Os cavalinhos de Platiplanto”, “A estranha máquina” e “Objetos turbulentos”, consolidando o autor como um mestre na arte de extrair o extraordinário das frestas do cotidiano. Com uma linguagem marcada por uma economia verbal que beira a precisão cirúrgica, Veiga conduz o leitor por vilarejos suspensos no tempo, em que a chegada de um objeto misterioso ou o comportamento errático de um animal são eventos capazes de desestabilizar toda uma ordem social e ontológica.

O objeto turbulento e a mecânica do estranhamento

Um dos pilares desta reunião de textos é a relação entre o homem e o inanimado. Veiga explora a incursão de tecnologias ou artefatos inexplicáveis em comunidades rurais, criando uma tensão entre a tradição e uma modernidade que se apresenta de forma fragmentária e, por vezes, ameaçadora. No conto “A estranha máquina”, por exemplo, um aparato desconhecido que se encontra em uma praça pública provoca paranoia e curiosidade mórbida, e desafia as convicções vigentes. O autor detalha a fenomenologia do “estranhamento”, em que o leitor é convidado a duvidar da própria realidade enquanto observa personagens que aceitam o absurdo com uma naturalidade desconcertante ou uma resignação melancólica.

A infância como fresta e a crítica sob a alegoria

A coletânea evidencia o uso recorrente da perspectiva infantil como um recurso para desvelar as hipocrisias e as violências do mundo adulto. Através dos olhos das crianças, os mistérios de Manarairema ou os cavalinhos de Platiplanto ganham uma dimensão mítica que as palavras dos mais velhos tentam, sem sucesso, domesticar. Paralelamente, os “Contos reunidos” reafirmam a veia política de Veiga. Muitos de seus relatos curtos operam como alegorias sobre a opressão, a burocracia sufocante e o autoritarismo. Esses são temas que o autor soube camuflar sob o véu do fantástico para driblar as censuras de sua época e tocar em verdades universais sobre a alma humana e sua busca incessante por liberdade e sentido.

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