| Edição: 1ª |
| Publicação: 4 de março de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 568 |
| Peso: 0.68 kg |
| Dimensões: 14 x 3.2 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559212629 |
| ISBN-13: 9786559212620 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroO livro "Por que escrever?: Conversas e ensaios sobre literatura (1960-2013)" é uma coleção de textos não ficcionais do romancista americano Philip Roth.
A obra oferece uma visão íntima sobre as motivações, as polêmicas e as preocupações literárias de um dos maiores nomes da ficção do século XX.
"Por que escrever?" é uma coleção extraordinária de mais de trinta ensaios, entrevistas e discursos que abrange cinco décadas da vida de Philip Roth. Longe da ficção que o consagrou, este livro revela o lado mais intelectual e pessoal do autor, oferecendo aos leitores um vislumbre das questões que o impulsionaram e o atormentaram.
A coletânea aborda desde a análise profunda da obra de autores fundamentais como Franz Kafka e a discussão sobre a identidade judaica na literatura, até a reflexão sobre seus próprios romances mais controversos. Roth se debruça sobre temas como a recepção de sua obra pelo público e pela crítica, a relação entre a vida e a arte, e o papel do escritor na sociedade americana. Os textos são uma reflexão sincera sobre o ofício e a responsabilidade da escrita, servindo como um balanço de uma vida inteira dedicada à literatura e consolidando o legado não ficcional de um autor que jamais se furtou a provocar e a questionar.
A inclusão de Franz Kafka e o tema da identidade judaica na obra não ficcional de Philip Roth é profunda e multifacetada.
Philip Roth via Franz Kafka não apenas como um grande escritor, mas como um profeta involuntário da condição judaica moderna e uma figura arquetípica para o próprio Roth.
Ensaio-Chave: O ensaio mais famoso de Roth sobre o tema, geralmente incluído na coletânea, é "Eu sempre quis que vocês admirassem meu jejum, ou Contemplando Kafka" (escrito em 1973).
A Ironia do Destino: Roth frequentemente reflete sobre o fato de Kafka, que escreveu sobre a crueldade impessoal do Estado burocrático, ter sido um judeu tcheco cujas próprias irmãs foram vítimas do Holocausto, uma burocracia do mal em escala industrial.
O Doppelgänger: Roth usava Kafka como um doppelgänger literário. Em seu romance A Orgia de Praga, ele imagina que o destino dos livros de Kafka nas mãos dos "kafkólogos" era mais grotesco do que a vida de Josef K. Isso reflete o fascínio de Roth pela maneira como a realidade (e a história judaica) imitava a ficção profética de Kafka.
A identidade judaico-americana foi o tema central e mais polêmico da ficção e dos ensaios de Roth. Ele não se contentava com representações idealizadas ou piedosas dos judeus.
O Cisma: Roth investiga a dupla identidade do judeu americano: de um lado, a herança religiosa e cultural dos avós imigrantes; do outro, a assimilação à cultura popular americana (beisebol, cinema). Suas histórias exploram as contradições e cisões dessa coexistência.
Polêmica e Crítica: Desde o lançamento de seu primeiro livro, Adeus, Columbus, Roth foi violentamente criticado por organizações judaicas. Elas o acusaram de reforçar estereótipos antissemitas ao mostrar judeus com falhas, mesquinharias, neuroses e, especialmente, sexualidade desenfreada (O Complexo de Portnoy).
A Defesa da Arte: Em ensaios como "Escrevendo Sobre Judeus" (também presente na coletânea), Roth defendeu seu compromisso com a investigação séria e complexa da vida judaica contemporânea. Ele argumentava que seu trabalho buscava a "humanização" dos judeus ao retratá-los como seres humanos comuns, em toda a sua complexidade, e não como modelos artificiais de virtude. Ele se recusava a tratar qualquer aspecto da vida judaica como "tabu" por medo da reação externa.
Em suma, em "Por que escrever?", Philip Roth utiliza a figura de Kafka e a reflexão sobre o judaísmo para discutir a responsabilidade e a liberdade moral e artística do escritor diante de sua herança e da história.