| Edição: 1ª |
| Publicação: 2 de fevereiro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 848 |
| Peso: 1.110 Kg |
| Dimensões: 16 x 4.1 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559212637 |
| ISBN-13: 9786559212637 |
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Comprar LivroPublicado em 1922, Ulysses é frequentemente saudado como o divisor de águas da literatura ocidental, um monumento de audácia linguística que encerra a era do realismo tradicional para inaugurar as infinitas possibilidades do modernismo. A obra transcorre integralmente no dia 16 de junho de 1904, acompanhando as trajetórias errantes de Leopold Bloom, um agente de publicidade judeu, e Stephen Dedalus, o jovem intelectual apresentado em obras anteriores de Joyce. Ao espelhar a estrutura da Odisseia de Homero em uma Dublin provinciana e prosaica, o autor opera uma subversão magistral: o herói épico é substituído pelo homem comum, e as grandes batalhas mitológicas tornam-se conflitos internos, digestivos, sexuais e sociais.
A inventividade de Joyce manifesta-se na atribuição de um estilo e uma técnica narrativa distintos para cada um dos dezoito episódios do livro. Desde a paródia da evolução da língua inglesa em "Bois do Sol" até a estrutura de catecismo científico em "Ítaca", o autor demonstra que a linguagem não é apenas um veículo para a história, mas a própria protagonista. Bloom, o anti-herói por excelência, perambula pela cidade lidando com o luto pelo filho falecido e a iminente infidelidade de sua esposa, Molly. Através de seu olhar, Joyce eleva o cotidiano — o ato de comer um rim de porco, caminhar pela praia ou usar um banheiro público — à categoria de rito existencial, provando que na mente humana o banal e o sublime coexistem sem hierarquias.
A técnica do fluxo de consciência atinge em Ulysses o seu ápice de sofisticação, permitindo ao leitor um acesso sem precedentes ao "monólogo interior" dos personagens. Joyce não se limita a descrever o que Bloom ou Stephen pensam; ele mimetiza o processo caótico do pensamento, onde memórias, desejos reprimidos, estímulos sensoriais externos e fragmentos de leituras se entrelaçam de forma associativa. Esta imersão radical na psique revela a solidão inerente ao indivíduo moderno, que, mesmo rodeado pela multidão de Dublin, permanece encerrado no labirinto de sua própria consciência. A relação entre Stephen (o filho em busca de um pai espiritual) e Bloom (o pai em busca de um herdeiro para sua memória) forma o eixo emocional de uma obra que, apesar de sua complexidade técnica, pulsa com uma profunda humanidade.
O encerramento do romance, o célebre monólogo de Molly Bloom, representa uma das passagens mais revolucionárias da história da literatura. Em uma torrente verbal desprovida de pontuação, Molly revisita sua vida, seus amantes e sua relação com Leopold, culminando em uma afirmação vitalista e sensorial da existência. O "sim" final de Molly ressoa como uma aceitação incondicional da vida em toda a sua imperfeição e beleza. Ulysses não é apenas um livro sobre um dia em uma cidade; é uma tentativa enciclopédica de capturar a totalidade da experiência humana, transformando a capital irlandesa em um palco universal onde cada detalhe sórdido ou trivial é imortalizado pela força da palavra.