| Edição: 1ª |
| Publicação: 17 de janeiro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 344 |
| Peso: 0.530 kg |
| Dimensões: 16 x 2 x 23 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 6559212904 |
| ISBN-13: 9786559212903 |
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Publicado em 1909, Sua alteza real ocupa um lugar singular na trajetória de Thomas Mann, funcionando como uma transição solar entre a densidade trágica de sua juventude e a ironia madura de suas grandes obras posteriores. O romance ambienta-se no fictício grão-ducado de Grimmburg, um Estado anacrônico e financeiramente arruinado que sobrevive apenas pela manutenção rigorosa de suas etiquetas e rituais. O protagonista, o príncipe Klaus Heinrich, nasce com uma malformação na mão esquerda — um detalhe físico que Mann utiliza como metáfora para a “existência excepcional” do artista e do aristocrata. Desde a infância, Klaus é treinado para a “representação”, uma vida onde o ser é substituído pelo parecer, e onde cada gesto é uma atuação pública destinada a conferir dignidade a um reino em decadência.
O autor articula a tese de que a realeza, tal como a arte, é uma forma de isolamento sublime. Klaus Heinrich vive em uma redoma de vidro, apartado das realidades orgânicas e vulgares da vida comum, transformado em um símbolo estético para consumo de seus súditos. A estratégia narrativa aqui não foca na angústia destrutiva, mas na melancolia de uma vida que é pura forma e nenhum conteúdo. Esta “existência de fachada” encontra seu desafio quando o pragmatismo do novo mundo bate às portas do ducado sob a figura de Samuel Spoelmann, um bilionário americano que representa a força bruta do capital e a modernidade técnica, elementos capazes de salvar as finanças do reino, mas que ameaçam a pureza de suas tradições seculares.
O encontro de Klaus Heinrich com Imma Spoelmann, a filha do magnata, serve como o catalisador para a humanização do príncipe. Imma, dotada de uma inteligência matemática e de um desprezo saudável pelas formalidades vazias, obriga o protagonista a confrontar a vacuidade de sua posição. Mann conduz o leitor por um processo de aprendizado onde o príncipe precisa descobrir que a verdadeira nobreza não reside apenas na manutenção do protocolo, mas na capacidade de integrar a “representação” com a utilidade social e o afeto genuíno. O casamento entre o herdeiro do passado e a filha do futuro é apresentado como uma síntese necessária: o dinheiro americano salva o solo alemão, enquanto a dignidade aristocrática confere um propósito espiritual à riqueza material.
Diferente do pessimismo encontrado em Os Buddenbrook, esta obra oferece uma visão quase de conto de fadas sobre a possibilidade de reforma e felicidade. A escrita de Mann é perpassada por uma ironia leve e afetuosa, tratando as excentricidades da corte com um distanciamento que nunca chega ao sarcasmo. O final feliz, raro na bibliografia do autor, não é uma concessão ao sentimentalismo, mas uma solução dialética: a “alteza” só se torna “real” quando desce do pedestal para tocar a substância da vida e do trabalho. A obra permanece como um estudo fascinante sobre a responsabilidade da liderança e o custo pessoal de se viver como uma obra de arte pública.
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