| Edição: 1ª |
| Publicação: 24 de março de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 608 |
| Peso: 800 g |
| Dimensões: 16 x 3.4 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559213226 |
| ISBN-13: 9786559213221 |
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Comprar LivroA importância de O rei pálido está em sua ousadia: transformar o tédio em matéria literária e filosófica, oferecendo ao leitor uma experiência que exige paciência e atenção — justamente os valores que o livro defende. É uma obra que desafia, incomoda e, ao mesmo tempo, ilumina aspectos da vida moderna que costumam ser ignorados.
O rei pálido (The Pale King), publicado em 2011 de forma póstuma, é o último romance de David Foster Wallace. A obra foi organizada e editada por Michael Pietsch a partir dos manuscritos deixados pelo autor, que faleceu em 2008. Embora inacabado, o livro é considerado uma peça central para compreender a evolução da escrita de Wallace e sua tentativa de enfrentar, literariamente, o tema da atenção e da banalidade na vida contemporânea.
Ambientado em um centro da Receita Federal norte-americana, O rei pálido acompanha funcionários que lidam com tarefas repetitivas e exaustivas ligadas à burocracia fiscal. A trama não se desenvolve de forma linear, mas se constrói em fragmentos, explorando personagens diversos e suas experiências diante da monotonia. O romance propõe uma reflexão sobre como o tédio, a rotina e a aparente insignificância podem revelar dimensões éticas e existenciais profundas.
Entre os temas centrais estão a atenção como virtude, a banalidade do cotidiano, o peso da burocracia e a busca por sentido em meio ao vazio. Wallace sugere que a verdadeira coragem contemporânea não está em feitos grandiosos, mas na capacidade de suportar e dar significado às tarefas repetitivas e ao silêncio da vida comum.
O estilo mantém a marca de Wallace: frases longas, digressões, humor irônico e uma mistura de registros técnicos e literários. Apesar de inacabado, o romance é coeso em sua proposta e revela uma maturidade distinta em relação à Graça Infinita, deslocando o foco do excesso e da saturação para o vazio e a monotonia.