| Edição: 1ª |
| Publicação: 03 de outubro de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.8 kg |
| Dimensões: 14 x 1.2 x 21 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 655921348X |
| ISBN-13: 9786559213481 |
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Comprar LivroCecília é uma pediatra neonatologista que desafia todas as expectativas associadas à sua profissão: não gosta de crianças, não tem paciência com pais superprotetores e encara a medicina de forma pragmática, quase cínica. Filha de médico, seguiu a carreira como herança familiar, mas sua prática clínica é marcada por frieza e distanciamento emocional. Apesar disso, construiu um consultório bem-sucedido e uma reputação sólida.
Seu mundo começa a ser abalado quando surge um colega pediatra carismático, adepto de práticas humanizadas e alternativas — como doulas e partos domiciliares — que conquista espaço e prestígio. Essa presença expõe as fissuras da própria Cecília: sua dificuldade de lidar com afetos, sua solidão, e a tensão entre técnica e empatia.
Narrado em primeira pessoa, o romance é conduzido pela voz cortante e irônica da protagonista, que desnuda não apenas o universo médico, mas também os discursos idealizados sobre maternidade, cuidado e amor.
Em A pediatra, Andréa del Fuego constrói uma protagonista que é, ao mesmo tempo, fascinante e desconfortável. Cecília não busca agradar: sua voz é ácida, direta, e desmonta com sarcasmo as imagens romantizadas da maternidade e da infância. A autora cria uma narrativa em ritmo acelerado, em que a linguagem seca e mordaz reflete a própria interioridade da personagem.
O romance se insere no debate contemporâneo sobre a chamada “maternidade real”, mas o faz por um viés inusitado: não pela voz das mães, mas pela de uma médica que se recusa a encarnar o papel de cuidadora afetuosa. Essa inversão de perspectiva dá ao livro uma força crítica singular, pois revela o quanto a sociedade projeta expectativas de doçura e sacrifício sobre mulheres — especialmente aquelas ligadas ao universo da saúde e da infância.
Literariamente, Del Fuego equilibra humor e crueldade, criando uma narrativa que oscila entre o riso nervoso e a reflexão amarga. Cecília é uma personagem que incomoda, mas justamente por isso permanece viva na memória do leitor: ela encarna a recusa em se conformar, a resistência em aceitar papéis pré-determinados.
A pediatra é, portanto, mais do que um retrato de uma médica cínica: é uma crítica social afiada, um estudo de personagem e uma exploração das contradições entre afeto e poder.