| Edição: 1ª |
| Publicação: 01 de junho de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 144 |
| Peso: 0.21 kg |
| Dimensões: 14 x 1.2 x 21 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 6559214044 |
| ISBN-13: 9786559214044 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Caminhando com os mortos, da escritora pernambucana Micheliny Verunschk, mergulha nas consequências perversas da intolerância religiosa e da violência estrutural no interior do Brasil. É um livro com narrativa fragmentada, lírica e de certo modo, perturbadora.
Um crime abala uma pequena cidade: uma mulher é queimada viva em um ritual religioso, supostamente para “purificá-la” e reconduzi-la ao “caminho do bem”. Desde que uma comunidade evangélica se instalou na região, episódios de violência passaram a fazer parte da paisagem cotidiana.
A narradora, mulher marcada por perdas e traumas, tenta reconstruir os acontecimentos, costurando memórias e pistas e enfrentando silêncios. Ao mesmo tempo, lida com a ausência de um grande amigo e com os fantasmas que a cercam. O romance é um mosaico de vozes, fragmentos e imagens que revelam como o horror pode se infiltrar na fé, pelo prisma de um fanatismo convicto.
Micheliny Verunschk, vencedora do Prêmio Jabuti com O som do rugido da onça, retorna com uma obra que mistura horror social, crítica religiosa e poesia narrativa. Caminhando com os mortos não é apenas um romance sobre um crime, é uma meditação sobre o poder destrutivo da doutrinação, sobre o corpo como campo de batalha e sobre a memória como resistência.
A linguagem é densa, simbólica, marcada por repetições e rupturas. A autora constrói uma atmosfera sufocante. O leitor é convidado a caminhar entre vivos e mortos, entre o que foi dito e o que foi silenciado.
Ao final de Caminhando com os mortos, não entrega uma conclusão, deixa uma inquietação. O romance não se resolve, reverbera. A história da mulher não é apenas um caso isolado: é um sintoma. A narradora, ao tentar reconstruir os fatos, revela a violência oculta nos discursos de salvação, e como o silêncio torna-se cúmplice. O livro termina como começou: perguntas que não cabem em respostas simples, e a sensação de que caminhar com os mortos é, muitas vezes, a única forma de entender os vivos.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon