| Edição: 1ª |
| Publicação: 24 de março de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 232 |
| Peso: 0.280 kg |
| Dimensões: 13.7 x 1.3 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559214982 |
| ISBN-13: 9786559214983 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroPublicado originalmente em francês em 2022 e lançado no Brasil em 2023 pela Companhia das Letras, O espírito da floresta é fruto da parceria entre Davi Kopenawa, xamã e líder Yanomami, e o antropólogo francês Bruce Albert. O livro reúne textos escritos entre 2002 e 2021, muitos deles elaborados para catálogos de exposições da Fundação Cartier em Paris, e apresenta ao público uma visão singular da cosmologia Yanomami. A obra articula memória, espiritualidade e denúncia, revelando a floresta como espaço vivo, habitado por espíritos e guardado pelos xamãs, mas também como território ameaçado pela exploração predatória e pela violência contra os povos indígenas.
“É possível que vocês tenham ouvido falar de nós. No entanto, não sabem quem somos realmente. Não é uma boa coisa. Vocês não conhecem nossa floresta e nossas casas. Não compreendem nossas palavras. Assim, era possível que acabássemos morrendo sem que vocês soubessem.” ― Davi Kopenawa
O espírito da floresta é continuação simbólica do projeto iniciado em A queda do céu, mas se distingue por sua forma fragmentada e por sua dimensão estética. Os textos, escritos em colaboração entre Kopenawa e Albert, são acompanhados de imagens e reflexões que ampliam a compreensão da relação dos Yanomami com a floresta. O livro não se limita a ser um registro etnográfico: é também obra literária e filosófica, que traduz em palavras a experiência espiritual de um povo cuja existência está intrinsecamente ligada ao equilíbrio da natureza.
A narrativa de Kopenawa, marcada pela oralidade e pela força poética, reafirma a centralidade dos xamãs como guardiões da vida. Ao descrever os espíritos que habitam a floresta e os riscos de sua destruição, o autor denuncia a ganância dos garimpeiros e a indiferença da sociedade envolvente. Bruce Albert, por sua vez, atua como mediador, preservando a voz indígena sem apagar sua singularidade. O resultado é um texto híbrido, que une testemunho, cosmologia e crítica social.
O livro é também um gesto político: ao publicar essas reflexões, Kopenawa e Albert reafirmam a necessidade de escuta e de respeito aos saberes ancestrais. A floresta, apresentada como sujeito e não como recurso, torna-se metáfora da própria sobrevivência da humanidade. A obra, portanto, é convite à descolonização do olhar e à abertura para outras formas de pensar o mundo.
O espírito da floresta é uma obra que alia espiritualidade, arte e denúncia, reafirmando a literatura indígena como espaço de resistência e de revelação.