| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de abril de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 304 |
| Peso: 0.500 kg |
| Dimensões: 14 x 2.5 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559281493 |
| ISBN-13: 9786559281497 |
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Comprar LivroPublicado em 2018, Mandíbula é um dos romances mais perturbadores da escritora equatoriana Mónica Ojeda, considerada uma das vozes mais intensas da literatura latino-americana contemporânea. A narrativa se inicia com Fernanda, uma adolescente insolente e fascinada por literatura e filmes de terror, que desperta amarrada em uma cabana no meio da floresta. Sua sequestradora não é uma estranha, mas Miss Clara, professora de língua e literatura, marcada por um passado violento e por uma relação complexa com suas alunas.
O romance se constrói em torno desse sequestro, mas expande-se para revelar um universo de fanatismo religioso, violência simbólica e obsessões adolescentes. A escola católica de elite, dirigida pela Opus Dei, torna-se palco de rituais secretos, pactos de amizade e jogos cruéis que exploram os limites entre desejo, medo e poder.
Mandíbula é uma obra polifônica e fragmentada, que alterna vozes, tempos e perspectivas. Ojeda utiliza uma linguagem visceral e poética, capaz de transitar entre o lirismo e o horror, criando uma atmosfera hipnótica e inquietante. O romance explora a adolescência como território de experimentação e transgressão, mas também como espaço de vulnerabilidade e violência.
A relação entre Fernanda e Miss Clara é o núcleo da narrativa, marcada por ambiguidade: entre o ódio e a devoção, entre a crueldade e o afeto. O sequestro funciona como metáfora da captura pela linguagem e pelo poder, já que o livro insiste na ideia de que a palavra pode ser instrumento de submissão, mas também de libertação.
Ojeda insere referências à cultura pop, ao terror clássico e ao imaginário religioso, compondo um mosaico que reflete tanto a violência estrutural da sociedade quanto os abismos da subjetividade feminina. O resultado é um romance feroz, que desafia o leitor a confrontar o lado mais sombrio da adolescência e da linguagem.