| Edição: 1ª |
| Publicação: 17 de outubro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 432 |
| Peso: 0.580 kg |
| Dimensões: 16 x 2 x 23 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559282015 |
| ISBN-13: 9786559282012 |
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Comprar LivroA narrativa babilônica da criação, cujo título ressoa as primeiras palavras do poema — "Quando no alto" —, constitui um dos monumentos mais imponentes do pensamento mítico da Mesopotâmia. O texto afasta-se da concepção de uma criação ex nihilo para apresentar um universo que emerge do conflito primordial entre duas entidades hídricas: Apsû, o oceano de água doce, e Tiāmat, a personificação do oceano de água salgada e do caos absoluto. A prosa traduzida preserva a cadência ritualística das sete tábuas de argila, conduzindo o leitor por uma teogonia turbulenta, na qual o nascimento das divindades mais jovens gera uma cacofonia que perturba o repouso dos progenitores ancestrais, desencadeando uma guerra cósmica pela supremacia e pela ordem.
O foco central da epopeia desloca-se da genealogia divina para o triunfo de Marduk, o deus tutelar de Babilônia, que aceita o desafio de enfrentar a fúria monstruosa de Tiāmat e seu exército de quimeras. A linguagem empregada nas descrições do embate possui uma força plástica notável; Marduk não vence apenas pela força bruta, mas pelo domínio dos ventos e pela palavra mágica. Ao derrotar a dragão-fêmea do caos, o herói divino realiza um ato de demiurgia violenta, dividindo o corpo de Tiāmat para moldar a abóbada celeste e a terra. O estilo literário enfatiza a fundação da Babilônia como o centro do cosmos, estabelecendo o Esagila — o templo de Marduk — como o ponto de convergência entre o humano e o sagrado, onde o destino dos homens e dos deuses é selado anualmente.
A criação da humanidade surge no Enūma Eliš como um desdobramento funcional da vitória de Marduk. Moldados a partir do sangue do deus rebelde Qingu, os seres humanos são concebidos com o propósito explícito de libertar as divindades do fardo do trabalho físico, conferindo à existência terrena uma natureza de serviço e reverência constante perante a manutenção da harmonia universal.
A estrutura do poema reflete sua função litúrgica no festival do Akitu (o Ano Novo babilônico). As repetições de epítetos e a proclamação dos cinquenta nomes de Marduk ao final da obra não são meros ornamentos, mas ferramentas de consolidação política e religiosa que visavam reafirmar a estabilidade do império sob a égide do deus supremo.