| Edição: 1ª |
| Publicação: 14 de março de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 336 |
| Peso: 0.410 kg |
| Dimensões: 14 x 1.5 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 655928400X |
| ISBN-13: 9786559284009 |
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Comprar LivroPublicado em 2020, Autobiografia do algodão é uma obra singular da escritora mexicana Cristina Rivera Garza, que entrelaça memória pessoal, história familiar e narrativa literária em um tecido híbrido. O livro parte da história dos avós da autora, migrantes que se estabeleceram nas plantações de algodão do norte do México, e expande esse relato íntimo para abarcar a experiência coletiva de trabalhadores, mulheres e comunidades que viveram sob o signo dessa cultura agrícola.
A narrativa não se limita ao registro histórico: Rivera Garza constrói um texto que oscila entre ensaio, autobiografia e ficção, em que o algodão se torna metáfora da vida, da memória e da escrita. O fio que se tece ao longo das páginas é pessoal e coletivo, íntimo e político, revelando como a história de uma família se inscreve na história maior de um país.
Autobiografia do algodão é uma obra que desafia categorias literárias. Rivera Garza não se contenta em narrar fatos: ela os reconstrói poeticamente, em uma linguagem que combina rigor documental e lirismo. O algodão, elemento central, é apresentado como matéria viva, símbolo de trabalho árduo, de exploração, mas também de resistência e de memória.
O estilo da autora é marcado pela fragmentação e pela multiplicidade de registros. O texto alterna entre lembranças pessoais, documentos históricos, reflexões ensaísticas e passagens de forte intensidade poética. Essa estrutura híbrida reflete a própria natureza da memória, que nunca é linear, mas feita de fragmentos, silêncios e lacunas.
A obra também se inscreve em uma tradição de literatura que busca recuperar histórias silenciadas. Ao narrar a vida dos trabalhadores do algodão, especialmente das mulheres, Rivera Garza dá visibilidade a experiências que raramente encontram espaço na historiografia oficial. O livro é, nesse sentido, tanto um gesto íntimo quanto político: ao contar a história de sua família, a autora ilumina a história de muitos.
Autobiografia do algodão é uma meditação sobre o poder da escrita como forma de preservar a memória. É um livro que exige do leitor não apenas atenção, mas também sensibilidade para perceber como o tecido da narrativa se confunde com o tecido da vida.