| Edição: 2ª |
| Publicação: 14 de março de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 14 x 2 x 20 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6559980081 |
| ISBN-13: 9786559980086 |
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Comprar LivroPublicado em 2009, Retorno a Reims é uma obra autobiográfica e ensaística do sociólogo e filósofo francês Didier Eribon, que se tornou referência incontornável na reflexão sobre classe social, identidade e política. O livro nasce do gesto de retorno do autor à sua cidade natal, Reims, após a morte do pai, e se transforma em uma investigação profunda sobre sua própria trajetória, marcada pela fuga do meio operário e pela inserção no universo intelectual parisiense.
Eribon narra como a distância em relação à família e ao ambiente de origem foi atravessada por sentimentos de vergonha, negação e ruptura, mas também por uma consciência crescente das estruturas sociais que moldam destinos individuais. Ao revisitar sua história, ele expõe as tensões entre classe, cultura e política, revelando como o deslocamento social pode implicar tanto emancipação quanto perda de vínculos.
A escrita de Eribon é íntima e analítica. O relato pessoal se entrelaça com reflexões sociológicas e filosóficas, criando uma narrativa que oscila entre confissão e teoria. O autor dialoga com pensadores como Pierre Bourdieu, mostrando como conceitos como habitus e capital cultural ajudam a compreender sua própria experiência.
O livro é marcado por uma crítica contundente às estruturas de desigualdade que atravessam a sociedade francesa, mas também por uma reflexão sobre a política contemporânea. Eribon observa como setores populares, outrora ligados à esquerda, migraram para o voto na extrema-direita, fenômeno que ele relaciona à perda de representatividade e ao abandono das classes trabalhadoras pelos partidos progressistas.
O estilo é elegante e profundamente honesto. Retorno a Reims não é apenas uma autobiografia intelectual, mas um ensaio sobre a condição social, sobre como trajetórias individuais são moldadas por forças coletivas, e sobre o peso da memória e da identidade. É uma obra que toca tanto pela sinceridade do relato quanto pela lucidez da análise. Um livro que aborda as relações entre classe, política e subjetividade no mundo contemporâneo.