O bom mal - Schweblin, Samanta

Edição:
Publicação: 09 de junho de 2025
Idioma: Português
Páginas: 288
Dimensões: 20 x 1 x 13.5 cm
Formato: Brochura / Capa comum
ISBN-10: 6560000982
ISBN-13: 9786560000988

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📘 O bom mal — Samanta Schweblin

Publicado em junho de 2025 pela Fósforo Editora, O Bom Mal é uma coletânea de seis contos inéditos da escritora argentina Samanta Schweblin, uma das vozes mais inquietantes da literatura contemporânea latino-americana. Com sua prosa atmosférica, Schweblin transforma o cotidiano em terreno fértil para o insólito, revelando como o mal pode ser necessário, ou como a bondade pode esconder algo perverso.

Cada conto é uma pequena armadilha — não no sentido de um truque narrativo, mas como uma construção precisa, quase arquitetônica, de atmosferas que se adensam até o ponto de ruptura. Schweblin não se interessa pelo susto fácil ou pelo grotesco explícito. Seu horror é de natureza psicológica, existencial, e nasce da fricção entre o familiar e o estranho. O que nos inquieta em suas histórias não é o que se revela, mas o que permanece oculto, o que se insinua nas entrelinhas, nos silêncios, nos gestos interrompidos.

A autora trabalha com personagens que habitam zonas de vulnerabilidade: mulheres em situações de tensão doméstica, crianças confrontadas com o absurdo, figuras que transitam entre a lucidez e o delírio. Há, em todos os contos, uma sensação de que algo está prestes a acontecer — ou já aconteceu — e que o leitor, como os próprios protagonistas, está sempre um passo atrás da compreensão plena. Essa defasagem entre o que se vê e o que se entende é o motor do desconforto que atravessa o livro.

A linguagem de Schweblin é enxuta, mas nunca simplista. Cada frase parece medida com rigor, cada palavra escolhida com precisão quase clínica. Há ecos de Kafka, de Poe, de Cortázar, mas também uma voz própria, que sabe como tensionar o real até que ele se desfaça em suas bordas. O título, O bom mal, já antecipa essa ambiguidade: o mal aqui não é uma entidade externa, mas uma força difusa, muitas vezes íntima, que se infiltra nas relações humanas, nos corpos, nas ideias.

🧠 Temas e estilo

  • Vulnerabilidade humana diante do cotidiano brutal
  • Narrativa breve e intensa, com ecos de Edgar Allan Poe
  • Personagens marginais e insólitos: animais, mulheres idosas, figuras desajustadas
  • Ambiguidade moral: o mal que protege, o bem que destrói
  • Atmosfera premonitória: basta um detalhe para que o familiar se torne estranho

📚 Contos incluídos

  • Bem-vinda à comunidade — protagonizado por um coelho
  • Um animal fabuloso — com um cavalo como figura central
  • William na janela e A mulher de Atlántida — retratam mulheres mais velhas
  • O olho na garganta — sobre os atípicos
  • O Todo-Poderoso faz uma visita — com um rapaz desajustado

 Schweblin reafirma seu domínio da narrativa curta, criando histórias que são, ao mesmo tempo, trágicas e venturosas, permeadas por culpa, luto, saudade e amor. Como disse Enrique Vila-Matas: “há um antes e depois da leitura de Schweblin”.

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