| Edição: 1ª |
| Publicação: 15 de dezembro de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.260 kg |
| Dimensões: 13.5 x 1.4 x 20.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6560051005 |
| ISBN-13: 9786560051003 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Em uma colaboração intelectual de rara precisão, o cientista político Felipe Nunes e o jornalista Thomas Traumann entregam uma obra que é, ao mesmo tempo, um diagnóstico clínico e um obituário da concórdia política no Brasil. “Biografia do abismo” não se limita a relatar a ascensão da polarização, mas busca escavar as fundações desse fenômeno, tratando-o como um processo de calcificação ideológica e afetiva. Através de uma linguagem erudita e fundamentada em um volume monumental de dados coletados pela Quaest, os autores descrevem como o país deixou de debater projetos para mergulhar em uma guerra de identidades, onde o adversário político não é mais alguém que pensa diferente, mas um inimigo existencial que habita o outro lado de um precipício intransponível.
O cerne da tese defendida por Nunes e Traumann é a ideia de que o Brasil não está apenas dividido, mas “calcificado”. Este termo descreve um estado em que as opiniões se tornam sólidas e imutáveis, independentemente de fatos ou argumentos lógicos. A obra detalha como o eleitorado se organizou em blocos rígidos, movidos por um “afeto negativo” — o ódio ou o medo do outro lado tornou-se um motor político mais potente do que a adesão a propostas governamentais. A análise explora com maestria o papel das redes sociais e da comunicação direta no fortalecimento dessas bolhas, demonstrando como a fragmentação da informação contribuiu para a erosão de uma base comum de realidade, na qual o diálogo se tornou uma impossibilidade semântica.
Ao avançar para as implicações institucionais dessa divisão, os autores examinam as eleições de 2022 como o ápice desse processo, onde o comportamento do eleitor assemelhou-se mais a uma fidelidade religiosa do que a uma escolha cívica. A obra descreve como questões de costumes, valores morais e crenças religiosas foram sequestradas pelo debate político, tornando as divergências pessoais e familiares. “Biografia do abismo” conclui com uma reflexão sóbria sobre a resiliência das instituições democráticas diante de uma sociedade que perdeu a capacidade de reconhecer a legitimidade do outro. O texto serve como um alerta urgente: enquanto o abismo for o lugar de morada da política brasileira, a construção de um projeto nacional comum permanecerá em suspensão, aguardando uma ponte que ainda não se avista no horizonte.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon