| Edição: 1ª |
| Publicação: 31 de outubro de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 176 |
| Peso: 0.230 kg |
| Dimensões: 14 x 1 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6560251756 |
| ISBN-13: 9786560251755 |
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Comprar LivroO Cochilo de Deus é o mais recente romance da escritora brasileira Raïssa Lettiére, publicado em 2024 pela editora Faria e Silva. A obra combina reflexão metafísica, ironia e lirismo, propondo uma releitura ousada da criação do mundo e da condição humana.
Em O cochilo de Deus, Raïssa Lettiére constrói uma narrativa fragmentada e polifônica, na qual múltiplas vozes — homens, mulheres, crianças, animais — atravessam diferentes épocas e geografias. O fio condutor é uma especulação literária sobre a criação: e se Deus, ao invés de ser o Criador, fosse o “Creador”, aquele que cria e recria em lapsos de consciência, em cochilos que permitem ao acaso e ao humano interferirem no destino do mundo?
A obra mistura elementos de mito, filosofia e cotidiano, propondo uma leitura utópica e irônica da origem do universo. O texto se apresenta como um emaranhado de histórias que se conectam misteriosamente, convidando o leitor a refletir sobre o papel da palavra, da imaginação e da própria humanidade na construção da realidade.
Raïssa Lettiére demonstra em O cochilo de Deus uma escrita experimental, que se aproxima da prosa poética e do ensaio literário. A narrativa não se limita a contar uma história linear, mas se abre em múltiplas direções, como se cada personagem fosse um fragmento da própria voz da autora. Essa fragmentação confere ao livro uma atmosfera de simultaneidade, em que passado e presente, mito e realidade, convivem em tensão criativa.
O estilo é marcado por ironia e ousadia: ao questionar a tradução bíblica e propor que Deus não seria o Criador absoluto, mas um ser que cochila e permite falhas, Lettiére sugere que o mal e o caos não são externos, mas inerentes ao próprio humano. Essa inversão desloca o olhar do leitor, convidando-o a pensar a responsabilidade da humanidade na construção de seu destino.
A obra se destaca por sua densidade filosófica e por sua capacidade de provocar inquietação. Sugere múltiplas possibilidades de interpretação. O cochilo, metáfora central, simboliza tanto a fragilidade da ordem quanto a potência da imaginação.