| Edição: 1ª |
| Publicação: 15 de dezembro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 256 |
| Peso: 0.310 kg |
| Dimensões: 13.7 x 1 x 21 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 6560990788 |
| ISBN-13: 9786560990784 |
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Na terceira obra do ciclo de Hainish, Ursula K. Le Guin constrói uma narrativa que se ergue como um espelho turvo da identidade e da memória. “A cidade das ilusões” acompanha a jornada de um homem que desperta sem passado, perdido em uma terra estranha, e que precisa reconstruir a si mesmo enquanto descobre os segredos de um mundo marcado por tensões entre povos e culturas. A autora, com sua prosa lírica e ao mesmo tempo precisa, conduz o leitor por uma travessia que é tanto física quanto interior, onde cada passo revela não apenas paisagens, mas também dilemas existenciais.
Le Guin maneja o ritmo narrativo com delicadeza, alternando momentos de contemplação com passagens de intensidade dramática. Sua escrita, marcada por uma cadência quase poética, confere à obra uma atmosfera de estranhamento que se aproxima do mito. A cidade, como metáfora central, não é apenas espaço físico, mas também símbolo da ilusão que permeia a consciência humana: a fragilidade da memória, a manipulação da verdade, a construção de identidades.
O protagonista, privado de lembranças, é lançado em um labirinto de incertezas. A ausência de passado torna-se motor da narrativa, e o leitor é convidado a refletir sobre o quanto a identidade depende daquilo que recordamos. A cidade, nesse sentido, é também um labirinto mental, onde cada revelação pode ser tanto libertadora quanto enganosa.
A obra não se limita ao drama individual: Le Guin insere seu personagem em um cenário de disputas entre povos, onde a manipulação da informação e a dominação cultural se tornam armas tão poderosas quanto a força bruta. A autora, fiel ao seu estilo, não oferece respostas fáceis, mas expõe as ambiguidades do poder e da resistência, convidando o leitor a questionar o que é real e o que é ilusão.
“A cidade das ilusões” é uma narrativa que transcende o gênero da ficção científica, aproximando-se da alegoria filosófica. Le Guin, com sua habilidade singular, transforma a jornada de um homem em um espelho da condição humana: a busca incessante por sentido em meio às sombras da dúvida. É uma obra que exige entrega, pois sua riqueza está menos na ação e mais na reflexão que provoca.
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