| Edição: 1ª |
| Publicação: 16 de dezembro de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 184 |
| Peso: 0.400 kg |
| Dimensões: 21 x 1.5 x 14 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6584515273 |
| ISBN-13: 9786584515277 |
Quer comprar este livro?
Comprar Livro"O coração que chora e que ri: Contos verdadeiros da minha infância" (Bazar do Tempo, 2022) é um poderoso livro de memórias da aclamada escritora caribenha Maryse Condé, vencedora do prêmio The New Academy Prize em 2018. A obra revisita a infância e o começo da adolescência da autora na Guadalupe dos anos 1940 e 1950, e sua subsequente ida para a França para completar os estudos.
O livro é a narrativa da formação de Condé, centrada em dois grandes eixos de conflito: a família e a identidade negra em um mundo colonial.
Conflito familiar e colonialismo: Condé revela com honestidade os complexos conflitos vividos com a mãe, Jeanne, uma figura imponente, extremamente severa e reservada. A mãe, apesar do afeto, personificava a alienação cultural da burguesia negra abastada de Guadalupe, que tentava se sentir "francesa" e discriminava a cultura do próprio país. A mãe proibia os filhos de falarem o crioulo das Antilhas, aceitando apenas o francês (a "língua do invasor"), e bania ritmos caribenhos como a biguine, tidos como "selvagens".
Descoberta do racismo e autonomia: O livro narra a ida da jovem Maryse para o colégio interno francês, onde se deu a autodescoberta de ser uma mulher negra na Europa, um país estranho e hostil. Ela enfrentou professoras brancas e racistas que buscavam humilhar as estudantes negras.
A rebelião e o engajamento: A experiência moldou a rebelião da pequena Maryse, levando à sua fuga para um mundo imaginário e à sede por conhecimento e autonomia. Essa jornada a guiou para o destino de escritora e moldou seu futuro engajamento no feminismo, na luta antirracismo e anticolonialismo.
A autora revisita suas lembranças, mesmo as mais difíceis, com notável leveza, autocrítica, humor e afetuosidade. A Condé octogenária se reconcilia com a própria trajetória, e com a memória da mãe, ao entender que a rigidez e a aparente alienação familiar eram, na verdade, uma estratégia de sobrevivência diante da perversidade do processo de colonização e escravização.
O ato de escrever é, para Condé, o meio de apropriar-se de si e de suas origens usando a literatura. O livro culmina com um momento de tocante reconciliação e entendimento com a mãe antes de sua morte, onde Maryse Condé "encontrou sua mãe ao perdê-la".
Apesar dos temas difíceis, as recordações são transmitidas com leveza e humor, um traço do estilo da autora, que utiliza a literatura para dar voz aos que foram silenciados. Ao lado de obras como Eu, Tituba, bruxa negra de Salém, esta autobiografia permite entender a origem de sua atividade intelectual, voltada a disseminar a cultura afro-caribenha e desafiar as mazelas deixadas pelo colonizador.
Um dos mais celebrados livros de Maryse Condé, as memórias de infância são também a narrativa de sua formação.
As Antilhas, também conhecidas como Caraíbas (ou Caribe), são um vasto arquipélago localizado no Mar do Caribe. Elas englobam milhares de ilhas e são tipicamente divididas em:
Grandes Antilhas: Incluem Cuba, Jamaica, Hispaniola (onde ficam Haiti e República Dominicana) e Porto Rico.
Pequenas Antilhas: Uma cadeia de ilhas que se estende de Porto Rico até a costa da Venezuela.
No contexto da literatura e da identidade discutidas na obra "O coração que chora e que ri", o termo antilhano é crucial:
Guadalupe: Maryse Condé nasceu em Guadalupe, uma ilha que faz parte das Pequenas Antilhas (Ilhas de Sotavento), que é um departamento ultramarino da França.
Identidade Antilhana: A produção literária de Maryse Condé e de outros intelectuais da região está centrada na "procura do antilhano, sobretudo da mulher antilhana, por suas origens", buscando compreender e aceitar a condição negra e a identidade complexa de quem viveu a colonização e a exploração escravagista.
Cultura Afro-Caribenha: A luta de Condé e sua atividade intelectual são voltadas para disseminar a cultura afro caribenha e, em sua ficção, dar voz e corpo à mulher negra antilhana, como fez com a personagem Tituba, nascida em Barbados.