| Edição: 1ª |
| Publicação: 16 de outubro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.270 kg |
| Dimensões: 14 x 3 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6585984706 |
| ISBN-13: 9786585984706 |
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Yanick Lahens, voz central da literatura haitiana contemporânea, constrói nesta obra uma narrativa seca sobre as tensões agrárias e as dinâmicas de poder em uma comunidade rural. O enredo é impulsionado pela rivalidade histórica entre duas famílias, os Mésidor e os Thomas, cujas disputas pela posse da terra funcionam como um microcosmo das fraturas sociais do Haiti. A autora utiliza uma linguagem técnica e direta para descrever a degradação ambiental e a erosão dos costumes, evitando idealizações sobre a vida no campo. A estrutura do romance é pautada pelo impacto de um furacão e pelo desaparecimento de uma jovem, eventos que servem de catalisadores para a exposição das feridas abertas por gerações de violência e exploração.
A narrativa integra o vodu não como um elemento exótico, mas como a estrutura cognitiva e espiritual que sustenta a comunidade diante da precariedade. Lahens detalha os rituais e a relação com os *loas* como uma forma de resistência e organização social em um ambiente em que o Estado é ausente. A obra analisa a interdependência entre o mundo dos vivos e o dos ancestrais, demonstrando como as crenças religiosas operam como o único sistema de justiça e ordem em Anse-Bleue. A descrição dos ritos é precisa, focada na função social da religião e na sua capacidade de oferecer um sentido de continuidade histórica em um cenário de constantes rupturas.
A obra destaca a vulnerabilidade das mulheres nas disputas de poder masculinas. O corpo feminino é tratado como território de conquista e retaliação, refletindo uma estrutura patriarcal rígida que se sobrepõe às questões de classe e posse de terra. A trajetória das personagens femininas revela o custo humano da manutenção das honras familiares e dos interesses patrimoniais.
Ao encerrar o relato, Yanick Lahens expõe a estagnação de uma sociedade presa a ciclos de vingança e à negligência governamental. A narrativa evita resoluções morais, preferindo focar na crueza das condições de vida e na resiliência necessária para a sobrevivência em um solo exaurido. O desfecho reforça a ideia de que os conflitos locais são indissociáveis da história política do país, marcada por ditaduras e intervenções que moldaram a atual geografia da miséria e da resistência haitiana. A obra estabelece-se como um documento crítico sobre a posse da terra e a dignidade humana nas Antilhas.
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