| Edição: 1ª |
| Publicação: 25 de agosto de 2021 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 240 |
| Peso: 0.280 kg |
| Dimensões: 12.5 x 1 x 19 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6586135370 |
| ISBN-13: 9786586135374 |
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Comprar LivroNeste romance, Mariana Salomão Carrara constrói uma narrativa em primeira pessoa que se ancora na voz de uma protagonista marcada pela fragilidade e pela consciência aguda da finitude. Trata-se de uma mulher que observa sua própria vida como quem percorre um inventário íntimo de perdas, medos e pequenas epifanias. A morte, anunciada já no título, não é apenas horizonte distante, mas presença constante que atravessa sua experiência cotidiana, moldando relações, lembranças e expectativas.
A protagonista, ao narrar, revela uma subjetividade que oscila entre o humor e a melancolia, entre o desejo de viver plenamente e a percepção de que tudo se dissolve. Sua voz é confessional, mas nunca ingênua: há uma ironia discreta que permeia o relato, como se a consciência da morte fosse também um modo de resistir ao peso da existência.
Carrara dá corpo a uma personagem que não se define por grandes feitos, mas pela intensidade de sua percepção. A protagonista é uma mulher comum, atravessada por memórias familiares, por relações afetivas que se desgastam e por uma constante reflexão sobre o tempo. O romance se constrói como um mosaico de fragmentos, em que cada episódio ilumina uma faceta de sua interioridade.
O estilo da autora é marcado pela contenção e pela delicadeza. A voz narrativa, íntima e universal, transforma o banal em matéria de reflexão existencial. A protagonista não é heroica, mas sua vulnerabilidade a torna profundamente humana. Ela encarna a tensão entre o desejo de permanência e a certeza da transitoriedade, revelando que a vida se sustenta justamente na consciência de sua precariedade.
Assim, É sempre a hora da nossa morte amém é um romance que se inscreve na tradição da literatura intimista, mas com uma força própria: ao dar voz a uma protagonista que se expõe em sua fragilidade, Mariana Salomão Carrara cria uma obra que fala da morte para, paradoxalmente, reafirmar a vida.
Aurora, protagonista do romance, é uma figura marcada pela fragilidade e pela perda de memória, o que confere ao romance uma atmosfera de desorientação e busca. Sua condição de desmemoriada não é apenas um dado narrativo, mas um recurso literário que permite à autora explorar os limites da identidade, da lembrança e da finitude.
A personagem encarna a tensão entre o esquecimento e a necessidade de reconstruir o sentido da própria vida. Ao procurar por Camila, Aurora revela tanto a persistência do afeto quanto a precariedade da memória, tornando-se símbolo da vulnerabilidade humana diante do tempo e da morte.