| Edição: 1ª |
| Publicação: 25 de abril de 2022 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 192 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 13.8 x 1.3 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6586497914 |
| ISBN-13: 9786586497915 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Uma etnografia dos sonhos yanomami
Publicado em 2022 pela Ubu Editora, O desejo dos outros: Uma etnografia dos sonhos yanomami é resultado da pesquisa da antropóloga Hanna Limulja, com ilustrações de Davi Kopenawa. A obra oferece uma porta de entrada ao universo onírico dos Yanomami, revelando como os sonhos, longe de serem apenas manifestações inconscientes individuais, constituem experiências coletivas e políticas. Entre os Yanomami, sonhar significa habitar outros mundos, encontrar seres diversos e mobilizar-se pelo desejo dos outros. O livro mostra como os sonhos, ao serem socializados, adquirem funções práticas: podem orientar decisões, indicar perigos, ou mesmo reforçar vínculos comunitários.
Hanna Limulja constrói uma etnografia singular, que se afasta das interpretações ocidentais tradicionais — como a psicanálise freudiana — para revelar a especificidade da experiência Yanomami. Nos sonhos, não há apenas projeções internas, mas encontros reais com espíritos, mortos e outros seres que habitam a floresta. Essa concepção amplia o entendimento do sonho como prática social e política, em que o coletivo se mobiliza a partir das experiências individuais.
A escrita da autora é clara e rigorosa, mas também sensível ao universo que descreve. Ao lado das ilustrações de Davi Kopenawa, o livro ganha uma dimensão estética que reforça sua força simbólica. A obra não se limita a ser registro etnográfico: é também reflexão filosófica sobre a alteridade, sobre a pluralidade dos mundos e sobre a necessidade de reconhecer epistemologias indígenas como legítimas e fundamentais.
O título, O desejo dos outros, sintetiza a ideia de que os sonhos não pertencem apenas ao sonhador, mas se constituem como espaço de encontro e de partilha. Sonhar é, portanto, viver em relação, mobilizar-se pelo que o outro deseja, e assim construir uma rede de significados que atravessa o cotidiano da comunidade.
Ao propor essa visão, Limulja desafia os paradigmas ocidentais e convida o leitor a repensar o papel dos sonhos na vida social. O livro é, portanto, contribuição relevante para a antropologia, mas também para a filosofia, a psicanálise e os estudos culturais, ao abrir espaço para o diálogo entre saberes distintos.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon