| Edição: 1ª |
| Publicação: 21 de julho de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 104 |
| Peso: 0.130 kg |
| Dimensões: 14 x 0.5 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6587955398 |
| ISBN-13: 9786587955391 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroPublicado em português pela Editora Mundaréu, Feito bestas é um romance da escritora francesa Violaine Bérot, traduzido por Letícia Mei. A narrativa se desenrola em uma pequena vila dos Pirineus, onde um acontecimento insólito perturba a comunidade: uma criança é encontrada saudável em uma gruta, como que por milagre. O mistério rapidamente se transforma em suspeita, e os olhares se voltam para o filho de Mariette, um jovem de força descomunal e dom singular para lidar com animais, que vive isolado com a mãe.
O romance se constrói a partir de múltiplas vozes, em uma polifonia que revela tanto o espanto coletivo quanto os preconceitos e medos que atravessam a vida comunitária. A trama oscila entre o registro policial e a fábula, criando uma atmosfera de inquietação que desafia o leitor a refletir sobre violência, marginalidade e a fragilidade dos laços sociais.
Feito bestas é uma obra que se destaca pela forma como Violaine Bérot articula narrativa e linguagem. A autora recorre a um prisma polifônico, em que diferentes personagens oferecem suas versões e percepções do acontecimento, compondo um mosaico de vozes que nunca se harmoniza por completo. Essa multiplicidade de perspectivas confere ao romance uma densidade psicológica e social rara, em que intensifica a sensação de mistério.
O estilo de Bérot é marcado pela concisão e pela musicalidade. As frases curtas, por vezes abruptas, criam um ritmo que espelha a tensão da narrativa. Há uma economia de meios que não empobrece, mas antes potencializa o efeito literário: cada palavra parece escolhida para ressoar no silêncio da vila, cada pausa carrega a expectativa de revelação.
A obra se inscreve em uma tradição de romances que exploram o choque entre comunidade e alteridade. O filho de Mariette, figura enigmática e marginal, encarna o medo coletivo diante do que escapa às normas. Sua relação com os animais, sua força incomum e seu isolamento o tornam alvo de suspeita, mas também de fascínio. O romance se constrói na ambiguidade, na tensão entre o humano e o bestial, entre o real e o fabuloso.
Ao mesmo tempo, Feito bestas é uma reflexão sobre a violência latente nas pequenas comunidades. O que começa como um mistério rapidamente se transforma em julgamento, revelando como o medo e o preconceito podem corroer os vínculos sociais. A fábula se entrelaça com o policial, e o resultado é uma narrativa que desafia categorias, oscilando entre o realismo e o mito.