| Edição: 1ª |
| Publicação: 8 de outubro de 2020 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 200 |
| Peso: 0.350 kg |
| Dimensões: 22.4 x 15.4 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6588470088 |
| ISBN-13: 9786588470084 |
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Comprar LivroNesta obra de urgência ética e rigor sociológico, a filósofa espanhola Adela Cortina cunha e disseca o conceito de aporofobia — do grego áporos (pobre) e phóbos (medo ou aversão). A autora argumenta que o fenômeno que frequentemente confundimos com xenofobia ou racismo possui, em sua gênese, um componente muito mais específico e insidioso: a rejeição ao que é pobre, ao que não tem recursos para o intercâmbio. Com uma linguagem erudita e humanista, Cortina demonstra que a sociedade contemporânea, estruturada sob a lógica do contrato e da reciprocidade mercantil, tende a invisibilizar e excluir aqueles que, aparentemente, nada têm a oferecer em troca, transformando a carência material em um estigma de indignidade moral.
Adela Cortina explora as raízes biológicas e culturais que sustentam a aporofobia, sugerindo que o cérebro humano, condicionado evolutivamente a buscar alianças vantajosas, pode desenvolver uma predisposição ao distanciamento do "outro" desamparado. No entanto, o texto enfatiza que a cultura e a educação têm o papel fundamental de superar esses impulsos primários. A autora analisa como as instituições políticas e os discursos midiáticos alimentam o ódio ao pobre, muitas vezes culpabilizando a vítima por sua própria condição. A obra detalha como essa aversão corrói os fundamentos da democracia e da justiça social, uma vez que a igualdade de dignidade, pilar do Estado de Direito, é sacrificada no altar da eficiência econômica e do conforto das elites.
A parte final do volume dedica-se à construção de uma resposta ética ao abismo da indiferença. Cortina propõe uma "ética da hospitalidade" e uma educação voltada para o reconhecimento mútuo, que transcenda a mera tolerância passiva. Para a filósofa, combater a aporofobia exige uma reestruturação do nosso olhar sobre a vulnerabilidade humana, entendendo que a pobreza não é um vício de caráter, mas uma privação de capacidades que a sociedade tem o dever moral de reparar. O livro encerra-se com um apelo à responsabilidade cosmopolita, reafirmando que a verdadeira medida de uma civilização não se encontra em sua riqueza acumulada, mas na forma como ela acolhe e integra os seus membros mais frágeis.