| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de março de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 100 |
| Peso: 0.140 kg |
| Dimensões: 14 x 0.6 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6588732740 |
| ISBN-13: 9786588732748 |
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Originalmente concebida como uma série de palestras para a rádio canadense em 1962, esta obra de Northrop Frye é uma defesa apaixonada e lúcida da relevância das artes liberais em uma sociedade tecnocrática. Frye inicia sua investigação propondo uma distinção fundamental entre os três níveis da linguagem: a linguagem da consciência e do autoexame, a linguagem da adaptação social (ou prática) e a linguagem da imaginação. O autor argumenta que a literatura não é um adorno de prestígio ou um passatempo fútil, mas o meio essencial pelo qual o ser humano constrói um mundo à sua imagem, transformando a natureza bruta em um ambiente humano dotado de sentido e forma.
A tese central de Frye reside na ideia de que a imaginação precisa ser “educada” para que o indivíduo possa participar plenamente da vida civil. Para ele, a literatura funciona como um laboratório de possibilidades humanas, onde experimentamos situações e emoções que a vida cotidiana não nos permite acessar. Através do estudo das grandes estruturas literárias, os mitos, os símbolos e os gêneros, o leitor desenvolve a capacidade de discernir a retórica política e publicitária, protegendo-se da manipulação e do clichê. A educação da imaginação é, portanto, o alicerce da liberdade intelectual e da cidadania crítica.
Frye propõe que toda a literatura ocidental deriva de uma estrutura mitológica central, centrada na Bíblia e na tradição clássica. Ele descreve a literatura como um corpo total e unificado, onde cada nova obra dialoga com as formas ancestrais da tragédia, da comédia, do romance e da sátira. Ao educar a imaginação, não estamos apenas acumulando informações sobre livros, mas aprendendo a reconhecer os padrões universais da experiência humana, como a busca pelo paraíso perdido, a descida ao inferno ou o ciclo das estações. Para o autor, a crítica literária não deve ser um exercício de julgamento de valor subjetivo, mas a ciência que ensina a ler o “edifício do pensamento” que a humanidade construiu.
A escrita de Frye é notável por sua clareza e por sua capacidade de traduzir conceitos teóricos complexos em metáforas acessíveis e iluminadoras. Ele conclui que o objetivo final da literatura não é apenas o prazer estético, mas a criação de uma sociedade de indivíduos capazes de imaginar um mundo melhor do que o atual. A imaginação educada permite que o homem não se sinta um estranho no universo, mas o seu arquiteto simbólico. Esta obra permanece como um manifesto necessário sobre a importância das humanidades em um tempo que frequentemente esquece que a realidade humana é, acima de tudo, uma construção da linguagem e da ficção.
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