A tradição clássica: influências gregas e romanas na literatura ocidental - Highet, Gilbert

Edição:
Publicação: 2 de agosto de 2024
Idioma: Português
Páginas: 724
Peso: 1.06 Kg
Dimensões: 16 x 4.2 x 23 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 6588732988
ISBN-13: 9786588732984

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A tradição clássica - Gilbert Highet

A herança greco-romana como alicerce da consciência literária europeia

Publicada originalmente em 1949, esta obra monumental de Gilbert Highet permanece como um dos estudos mais abrangentes e eruditos sobre a perenidade do mundo antigo na formação da cultura ocidental. O autor traça uma cartografia exaustiva de como os modelos, os géneros e os mitos da Grécia e de Roma foram assimilados, transformados e revitalizados desde a Idade Média até ao século XX. Highet não se limita a uma mera enumeração de influências; ele argumenta que a literatura ocidental é, essencialmente, um diálogo contínuo com os clássicos, onde cada época — do Renascimento ao Romantismo — redescobriu em Homero, Virgílio, Sófocles ou Horácio as ferramentas para expressar as suas próprias angústias e aspirações.

A estratégia narrativa de Highet organiza-se de forma cronológica e temática, demonstrando como a "corrente principal" da literatura europeia foi alimentada pela tradução, pela imitação e pela emulação dos antigos. O autor dedica capítulos fundamentais ao impacto da épica e da tragédia na estrutura do drama elisabetano e do classicismo francês, analisando como figuras como Dante, Milton e Goethe utilizaram a herança clássica não como um fardo de erudição morta, mas como uma linguagem viva e universal. Para Highet, a tradição clássica funciona como uma espinha dorsal que impede a fragmentação da cultura ocidental, fornecendo um repertório comum de símbolos e formas que transcendem as fronteiras nacionais e linguísticas.

A resistência da forma e a evolução do pensamento crítico

O autor explora também os períodos de "obscurecimento" e as reações contra o classicismo, como as querelas entre antigos e modernos, revelando que a rejeição dos modelos gregos e romanos é, muitas vezes, uma forma indireta de reconhecer a sua autoridade. Highet analisa com perspicácia como a sátira, a oratória e a filosofia política ocidental devem a sua estrutura lógica e o seu vigor retórico aos mestres de Atenas e de Roma. A obra destaca que a tradição clássica não é estática; ela é um processo de metamorfose onde o antigo é constantemente "traduzido" para novas sensibilidades, garantindo que o pensamento de Platão ou a métrica de Píndaro continuem a ressoar na modernidade.

A escrita de Highet é marcada por uma clareza expositiva admirável e por uma paixão contagiante pelo humanismo. Ele defende que o estudo dos clássicos é fundamental para a manutenção da liberdade intelectual, pois oferece uma perspetiva de longa duração sobre a condição humana. Ao encerrar o volume, o leitor compreende que a literatura ocidental não é um conjunto de obras isoladas, mas um edifício vasto cujas fundações estão enterradas no solo da bacia do Mediterrâneo. A tradição clássica é um convite à erudição e um testemunho da capacidade da beleza antiga de se manter permanentemente nova e necessária para a compreensão de quem somos.

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