| Edição: 1ª |
| Publicação: 2 de janeiro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 168 |
| Peso: 180 g |
| Dimensões: 13 x 0.97 x 19.99 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6589662789 |
| ISBN-13: 9786589662785 |
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Comprar LivroClark Ashton Smith, o "Feiticeiro de Auburn", é aqui apresentado em sua plenitude estética mediante uma seleção que abarca a diversidade de sua produção literária. O Jardim do Mal não é apenas o título de um de seus contos mais suntuosos; ele define toda a atmosfera desta edição da Red Dragon Publisher. Diferente de seus contemporâneos da revista Weird Tales, Smith não busca o susto imediato, mas a construção de uma "prosa poética" carregada de um vocabulário exótico. A narrativa funciona como uma joia lapidada por um misticismo sombrio, onde a beleza e a morte se entrelaçam em descrições de uma riqueza sensorial quase inebriante. O estilo literário de Smith é caracterizado por um distanciamento irônico que transforma cada parágrafo em um afresco de horror e maravilha.
Esta obra é fundamental por respeitar a dualidade do autor, unindo seus contos de fantasia sombria aos seus versos decadistas. Clark Ashton Smith considerava-se, antes de tudo, um poeta, e essa sensibilidade transborda para sua prosa, que é rítmica e repleta de aliterações e metáforas astronômicas. A tradução busca preservar essa cadência suntuosa, permitindo que o leitor brasileiro sinta a estranheza dos mundos perdidos — como Zothique ou Hyperborea — e a melancolia de seus sonetos. O "mal" na obra de Smith possui uma qualidade estética; ele manifesta-se em flores venenosas, deuses esquecidos e civilizações que desmoronam sob o peso de sua própria sofisticação e decadência, revelando um autor que via o cosmos como um palco de crueldade e beleza indiferentes.
No conto que dá título ao livro, Smith explora a ideia de uma natureza senciente e perversa. O jardim não é um refúgio, mas uma armadilha de cores impossíveis e fragrâncias letais, onde a biologia se torna um instrumento de tortura e fascínio. Essa temática reforça a posição do autor como um mestre do weird, capaz de transformar o orgânico em algo profundamente alienígena e perturbador, desafiando a percepção humana sobre o mundo natural.
A influência de nomes como Charles Baudelaire e Edgar Allan Poe é nítida na construção lírica de Smith. Sua obra atua como um elo entre o simbolismo europeu e o horror cósmico moderno, estabelecendo um padrão de escrita em que a forma é tão importante quanto o conteúdo. A Red Dragon Publisher, ao reunir prosa e verso, oferece um panorama completo de um autor que preferia o estranho ao óbvio e o eterno ao efêmero.
O Decadismo (ou Movimento Decadente) foi uma corrente artística e literária que floresceu na Europa, especialmente na França, durante as duas últimas décadas do século XIX. Ele surge como uma reação ao positivismo racionalista e ao naturalismo, celebrando o que é artificial, o refinamento extremo e a beleza da decomposição, em vez da natureza ou da saúde moral da sociedade burguesa.
No contexto de autores como Clark Ashton Smith, o decadentismo é a base estética que permite a criação de mundos suntuosos, porém moribundos.