| Edição: 129ª |
| Publicação: 1 de abril de 1977 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 448 |
| Peso: 0.481 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.6 x 2.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 9788501012074 |
| ISBN-13: 9788501012074 |
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Comprar LivroO livro "Cem anos de solidão" (Cien años de soledad) é a obra-prima do escritor colombiano Gabriel García Márquez (1927–2014).
Publicado em 1967, o romance é considerado um dos marcos fundadores do movimento literário conhecido como Realismo Mágico e uma das obras mais importantes da literatura em língua espanhola. A publicação foi um sucesso instantâneo, catapultando García Márquez à fama mundial.
O livro narra a saga da família Buendía ao longo de sete gerações na cidade fictícia de Macondo, fundada pelo patriarca José Arcadio Buendía e sua esposa, Úrsula Iguarán.
Macondo: a cidade nasce como um paraíso isolado, utópico e primitivo, livre das convenções do mundo exterior. A chegada da ciência, tecnologia e modernidade (trazidas pelo cigano Melquíades) corrompe gradualmente a inocência original.
A saga Buendía: a narrativa acompanha a ascensão e a queda de Macondo através da família. Os personagens são nomeados repetidamente (José Arcadio e Aureliano), o que cria uma sensação de ciclo e repetição histórica, dificultando a distinção entre as gerações e reforçando o tema do tempo circular.
O realismo mágico: o romance entrelaça eventos cotidianos e históricos (guerras civis, a chegada da ferrovia, o massacre das bananas) com elementos fantásticos e sobrenaturais (a ascensão de Remédios, a Bela, ao céu; a chuva que dura anos; a peste da insônia).
O título resume a essência filosófica e poética da obra:
Solidão: todos os membros da família Buendía, apesar de viverem sob o mesmo teto e se reproduzirem incessantemente, estão condenados à solidão devido à sua incapacidade de amar, se comunicar verdadeiramente ou aprender com os erros do passado.
Incesto e a profecia: uma profecia ancestral persegue a família: o medo de que o incesto (o casamento entre parentes) gere uma criança com rabo de porco. Esse medo é um símbolo da condenação genética e histórica da família e do ciclo vicioso que ela não consegue quebrar.
O tempo circular: a história é contada de forma que o passado e o futuro se encontram constantemente. O tempo é o verdadeiro protagonista do livro, apresentando a história como um eterno retorno.
O Massacre das bananas (La masacre de las bananeras) é o ponto central em que a história de Macondo passa da lenda local para a história amarga e política da América Latina.
Contexto: na história, o massacre ocorre após a chegada da United Fruit Company (uma clara alusão à United Fruit Company da vida real, que operava na Colômbia e em outros países da América Central). A Companhia Americana da Banana domina a economia local, explora os trabalhadores e destrói o modo de vida tradicional.
O evento: milhares de trabalhadores se reúnem para protestar contra as condições de trabalho desumanas e salários miseráveis.
A tragédia: a empresa, em conluio com as forças armadas do governo, massacra impiedosamente os grevistas na praça da estação.
O negacionismo oficial: a parte mais significativa do evento é que, após o massacre, o governo e a Companhia negam oficialmente que ele tenha sequer ocorrido. Eles afirmam que "não houve mortos, Macondo permaneceu em paz".
A solidão do conhecimento: o único membro da família Buendía que testemunha e tenta denunciar o massacre é José Arcadio Segundo. Ele passa o resto de sua vida tentando provar a verdade, mas o mundo exterior o convence de que ele estava delirando. Isso simboliza a solidão do intelectual e a manipulação da história na América Latina, onde a violência real é apagada pela versão oficial.
A chuva: o massacre é seguido por uma chuva torrencial que dura quase cinco anos, servindo como um luto cósmico pela atrocidade e limpando a cidade de sua prosperidade temporária, mas não da sua culpa.
Remédios, a Bela é uma das personagens mais enigmáticas e importantes da família Buendía, representando a beleza pura e a inocência transcendental.
Remédios é a filha mais velha do Coronel Aureliano Buendía. Ela é dotada de uma beleza tão avassaladora e perturbadora que atrai a loucura e a morte para todos os homens que a desejam. Quatro homens, entre admiradores e pretendentes, morrem em circunstâncias estranhas e acidentais apenas por estar perto dela.
Ela, no entanto, é completamente alheia aos desejos e convenções do mundo. Ela vive em um estado de inocência pré-lapsariana, recusando-se a usar roupas e alheia à sua própria beleza e ao efeito que ela provoca.
Seu clímax ocorre de forma fantástica, sendo um dos exemplos mais icônicos do Realismo Mágico:
Um dia, enquanto está dobrando lençóis no quintal com Úrsula Iguarán (a matriarca), Remédios sente-se estranhamente à vontade e leve. Ela ascende fisicamente ao céu, levitando e subindo lentamente, levando consigo um lençol branco que Úrsula tentava segurar.
O lençol: o lençol é a única prova física do evento, desaparecendo com ela, enquanto o mundo tenta encontrar uma explicação científica para o fenômeno.
A pureza rejeitada: sua ascensão é a forma do Realismo Mágico de afirmar que a beleza e a pureza absolutas não podem coexistir com a corrupção e a solidão da humanidade (e de Macondo). A beleza de Remédios era "inútil" e precisava retornar ao mundo transcendental.
A fuga da história: ela é o único membro da família que escapa do ciclo da solidão e da condenação histórica. Sua partida é uma fuga da tragédia humana de Macondo.
Ambos os eventos, o horror histórico negado e o milagre inquestionável, sintetizam o gênio de Gabriel García Márquez em fundir a realidade política com o universo mágico.