Doze contos peregrinos - Márquez, Gabriel García

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Edição: 32ª
Publicação: 07 de dezembro de 1992
Idioma: Português
Páginas: 256
Peso: 0.3 kg
Dimensões: 20.6 x 13.6 x 1.4 cm
Formato: Brochura / Capa comum
ISBN-10: 8501040665
ISBN-13: 9788501040664

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Doze Contos Peregrinos

Doze Contos Peregrinos, publicado em 1992, é uma obra que revela a maestria de Gabriel García Márquez na arte do conto, gênero que ele tratava com o mesmo rigor e intensidade que seus romances. Escritos ao longo de dezoito anos, esses doze relatos são peregrinos não apenas por sua origem dispersa — alguns nasceram como crônicas, roteiros ou até mesmo histórias contadas em entrevistas — mas também por sua temática errante, que acompanha personagens latino-americanos em trânsito pela Europa, enfrentando o estranhamento cultural, o exílio e os fantasmas da memória.

A unidade da coletânea não está em uma linha narrativa contínua, mas sim na atmosfera que permeia cada conto: um mundo onde o real se dobra ao insólito, onde o cotidiano é atravessado por lampejos de magia, melancolia e absurdo. Márquez constrói personagens que carregam consigo o peso da identidade latino-americana — figuras deslocadas, nostálgicas, muitas vezes à beira da loucura ou da revelação espiritual. Em Boa viagem, senhor presidente, por exemplo, um ex-mandatário do Caribe vive anonimamente em Genebra, doente e esquecido, enquanto em Só vim telefonar, uma mulher é internada por engano em um sanatório espanhol, e sua tentativa de escapar se transforma em um pesadelo kafkiano.

O estilo de Márquez permanece inconfundível: frases longas e envolventes, imagens vívidas, humor sutil e uma profunda empatia pelos seus personagens. Há uma tensão constante entre o sublime e o grotesco, entre o lirismo e a crítica social. Em Maria dos Prazeres, uma idosa que já comprou seu túmulo e treinou seu cachorro para chorar em seu enterro, o autor transforma o medo da morte em uma meditação poética sobre a solidão. Já em O rastro do teu sangue na neve, talvez o mais pungente dos contos, o sangue de uma jovem recém-casada que não para de escorrer pelas ruas de Paris torna-se metáfora da perda, do amor e da incomunicabilidade.

Cada conto é uma pequena epifania, uma janela para o universo de Márquez, onde o tempo é elástico, os mortos conversam com os vivos, e o absurdo é apenas mais uma camada da realidade. Doze Contos Peregrinos é, portanto, uma obra que condensa o espírito do autor: errante, encantado, profundamente humano. É um livro que não apenas confirma sua genialidade, mas também oferece ao leitor a chance de percorrer, em doze passos, os caminhos tortuosos e luminosos da literatura latino-americana.

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