| Edição: 37ª |
| Publicação: 11 de janeiro de 2018 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 160 |
| Peso: 0.190 kg |
| Dimensões: 20.6 x 13.4 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8501111643 |
| ISBN-13: 9788501111647 |
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Comprar LivroPublicado em 1942, O mito de Sísifo é o ensaio filosófico fundamental de Albert Camus, no qual ele apresenta e desenvolve a sua teoria do absurdo. A obra parte de uma premissa radical: o reconhecimento de que o desejo humano por ordem, sentido e clareza colide frontalmente com o silêncio irracional e caótico do universo. A erudição do texto manifesta-se na forma como Camus utiliza a figura mitológica de Sísifo — condenado pelos deuses a rolar eternamente uma pedra até o topo de uma montanha, apenas para vê-la cair novamente — como a metáfora definitiva da condição humana. O autor sustenta que o absurdo nasce desse divórcio entre o apelo do espírito e o deserto do mundo.
O texto inicia-se com a provocadora afirmação de que o suicídio é o único problema filosófico verdadeiramente sério. Camus descarta essa saída, assim como rejeita o "suicídio filosófico" representado pelas religiões ou sistemas metafísicos que prometem uma transcendência ilusória. A sobriedade da prosa camusiana defende que o homem deve viver em constante revolta, mantendo a consciência lúcida do absurdo sem jamais tentar negá-lo. Viver o absurdo significa aceitar a vida em sua gratuidade e finitude, transformando o destino trágico em uma afirmação de liberdade e paixão.
Na segunda parte do ensaio, Camus analisa diferentes tipos de "homens absurdos" — o sedutor, o ator, o conquistador e o criador — para ilustrar como a consciência do nada pode levar a uma ética de quantidade e intensidade, em vez de uma ética de qualidade e julgamento. A qualidade editorial da obra reside na transição do sentimento de desespero para a alegria da soberania humana. O autor demonstra que, uma vez que o mundo não possui um sentido intrínseco, o homem é livre para inventar os seus próprios valores, tornando-se o único mestre de sua trajetória.
O encerramento do livro é um dos momentos mais poderosos da literatura do século XX. Camus descreve o instante em que Sísifo desce a montanha para recuperar a sua pedra; é nesse intervalo, nessa pausa consciente, que ele se torna superior ao seu destino. A técnica narrativa conduz o leitor à conclusão de que a luta em si para chegar ao topo basta para preencher o coração de um homem. Ao afirmar que "é preciso imaginar Sísifo feliz", Camus entrega uma ode à resiliência humana, sugerindo que a felicidade não reside na conclusão da tarefa, mas na aceitação plena e desafiadora da própria existência.