| Edição: 7ª |
| Publicação: 7 de outubro de 2019 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 252 |
| Peso: 0.300 kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.4 x 1.8 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8501117234 |
| ISBN-13: 9788501117236 |
Quer comprar este livro?
Comprar Livro"Eu, Tituba: Bruxa negra de Salem" (título original: Moi, Tituba, sorcière… noire de Salem) é um romance de ficção histórica da aclamada escritora guadalupense Maryse Condé, vencedora do New Academy Prize 2018 (Prêmio Nobel Alternativo). Publicado originalmente em 1986, o livro é uma poderosa subversão dos registros históricos, recontando o famoso episódio dos Julgamentos das Bruxas de Salém sob a perspectiva de Tituba, a figura negra escravizada que a história branca e masculina havia negligenciado.
O romance é narrado em primeira pessoa por Tituba, que renasce séculos depois pelas mãos de Condé para finalmente contar sua história. A autora empreende um projeto pós-colonial de "escrever de volta" (writing back), retirando Tituba da marginalidade histórica e colocando-a no centro da narrativa. Conforme Condé anota no início da obra:
"Tituba e eu vivemos uma estreita intimidade durante um ano. Foi no correr de nossas intermináveis conversas que ela me disse essas coisas que ainda não havia confiado a ninguém".
A história de Tituba se desenrola no final do século XVII, abrangendo o Caribe, a Inglaterra e a Nova Inglaterra puritana.
Origens em Barbados: Tituba é mestiça, nascida na ilha de Barbados. Sua mãe era uma jovem africana escravizada, estuprada por um marinheiro inglês. O trauma se aprofunda quando sua mãe é enforcada por se defender de um abuso sexual cometido por um escravista branco.
A curandeira quilombola: Após ser expulsa da plantação, Tituba torna-se uma quilombola liberta. Ela cresce ao lado de Mama Yaya, uma mística e herborista que a inicia nos mistérios dos métodos tradicionais de cura, o que Tituba considera um "dom superior da natureza".
Salém e a acusação: Já adulta, Tituba casa-se com John Indian, um homem escravizado. Por amor, ela abdica de sua liberdade. O casal é vendido ao pastor puritano Samuel Parris, que os leva para a Província de Massachusetts, onde Tituba é acusada de bruxaria e presa, tornando-se a primeira mulher a ser julgada no tribunal de Salém, em 1692.
Prisão e amizade: Na prisão, Tituba é encarcerada com Hester Prynne, a heroína do romance A Letra Escarlate, de Nathaniel Hawthorne. As duas desenvolvem um profundo laço de "amor e cuidado", uma união feminina que se contrapõe à hipocrisia e ao racismo puritano. Tituba confessa-se para sobreviver aos julgamentos.
O romance é um veículo para a crítica social e política de Maryse Condé, que em suas obras explora a diáspora africana resultante da escravidão e do colonialismo. Os temas centrais são:
Racismo e sexismo: A obra denuncia o racismo e o sexismo arraigado na sociedade americana da época, e detalha a hipocrisia e a estreiteza de mente do puritanismo. Tituba expressa sua frustração, observando que a vida é "demasiadamente gentil com os homens, seja qual for a sua cor".
Condição da mulher negra: Tituba simboliza todas as mulheres da diáspora e o povo negro, sendo uma personagem que, embora humana e capaz de erros, possui visões modernas de autonomia e de libertação sexual.
Liberdade e resistência: Após ser vendida, e posteriormente libertada, Tituba retorna a Barbados e junta-se a um grupo de quilombolas. Embora falhe em suas tentativas de revolta, seu fim não é o silêncio: após ser enforcada, Tituba e seu amante Iphigene unem-se ao reino espiritual, onde continuam a "incitar futuras revoltas" e o desejo de desobediência. Sua história é um ato de resistência que se perpetua através da literatura.
Maryse Condé não está buscando fidelidade histórica, mas sim uma reparação simbólica. Como a vida de Tituba nos registros de Salém é breve e incompleta e sua trajetória posterior é desconhecida, Condé dá à sua personagem um destino que reflete sua força e seu engajamento, transformando-a em um símbolo eterno de resistência, que continua a lutar mesmo após a morte.
O livro recebeu críticas excelentes, com destaque para a ativista Angela Davis, que o prefaciou na edição em inglês. No Brasil, a escritora Conceição Evaristo afirmou que Maryse Condé "tem as fórmulas, as poções mágicas da escrita" para fazer a bruxa negra de Salém renascer. O romance é considerado um livro "inspirador e empoderador", apesar de seus temas pesados, sendo uma leitura obrigatória para centrar vozes que foram silenciadas.