| Edição: 15ª |
| Publicação: 1 de janeiro de 2000 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 112 |
| Peso: 0.160 kg |
| Dimensões: 20.8 x 13.8 x 1 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8508130708 |
| ISBN-13: 9788508130702 |
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O quinto volume da série de crônicas da coleção Para gostar de ler consolida a maestria dos quatro autores que se tornaram sinônimos do gênero no Brasil. Nesta antologia, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Sabino, Rubem Braga e Paulo Mendes Campos apresentam textos que exemplificam a definição de Antonio Candido sobre a crônica: uma literatura "ao rés-do-chão", que se nutre do cotidiano para alcançar dimensões universais. A erudição da obra reside na aparente simplicidade de sua prosa, que esconde uma técnica apurada de observação humana e social. Drummond contribui com sua ironia filosófica; Sabino com a agilidade narrativa e o humor; Braga com o lirismo que transforma o banal em poesia; e Campos com a elegância intelectual de quem reflete sobre a infância e a passagem do tempo.
A qualidade editorial desta seleção destaca-se pela inclusão de textos fundamentais, como "A última crônica" e "O cego de Ipanema", que ilustram o compromisso do cronista em fixar o instante fugaz. O texto evita qualquer afetação vocabular, preferindo a fluidez característica do português brasileiro para narrar encontros, desencontros e pequenas epifanias da vida urbana. A obra demonstra que a crônica não é apenas um relato leve, mas um exercício de sensibilidade que exige do escritor a capacidade de se espantar com o que parece comum, transformando a rotina em objeto de fruição estética e reflexão crítica.
Um dos eixos temáticos marcantes deste volume é a exploração do universo da infância e da inocência como contraponto aos absurdos do mundo adulto. Por meio de crônicas como "Carta a uma senhora", os autores revelam a crueza ou o ridículo da realidade social por meio do olhar desarmado de uma criança. A técnica narrativa alterna entre o tom confessional e o diálogo ágil, permitindo que o leitor transite por diferentes atmosferas emocionais — do riso provocado pelas confusões domésticas à melancolia despertada pela memória de um tempo perdido. Esta versatilidade confirma a crônica como o território por excelência da liberdade estilística.
A obra funciona como um documento vivo das mentalidades e dos costumes de uma época, preservando a frescura da observação direta. A ausência de adjetivações excessivas reforça a honestidade do relato, deixando que as situações descritas falem por si mesmas. Ao reunir esses quatro mestres, o volume oferece um panorama da inteligência brasileira em sua forma mais comunicativa, reafirmando que a literatura de alta qualidade pode ser, simultaneamente, acessível e profunda, educando o olhar do leitor para as nuances da vida que passam muitas vezes despercebidas na pressa do dia a dia.