No começo eram os deuses - Bottero, Jean

Edição:
Publicação: 16 de fevereiro de 2011
Idioma: Português
Páginas: 309
Peso: 0.37 kg
Dimensões: 20.8 x 13.2 x 2 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 852000900X
ISBN-13: 9788520009000

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No começo eram os deuses - Jean Bottéro

"No Começo eram os deuses" (Au commencement étaient les dieux) do assiriólogo francês Jean Bottéro, é um livro sobre as religiões da Mesopotâmia Antiga, com uma tradução e análise dos principais textos cosmogônicos e teogônicos (sobre a criação do mundo e dos deuses) das civilizações suméria, acadiana e babilônica.

Mesopotâmia: O berço dos mitos

Bottéro foca na civilização mesopotâmica, considerada o berço de grande parte das tradições religiosas e mitológicas que influenciariam o Ocidente (incluindo as narrativas bíblicas).

Cosmogonia e Teogonia: O livro explora os grandes poemas épicos e mitológicos, como:

O Enuma Elish (o mito da criação babilônico), que narra a vitória do jovem deus Marduk sobre a deusa do caos Tiamat, e a subsequente criação do mundo e da humanidade.

Mitos que tratam da criação do homem a partir da argila e do papel dos deuses na organização da vida terrestre.

A Relação Homem-Deus: Bottéro analisa a visão mesopotâmica da relação entre os deuses e os homens. A humanidade foi criada, na maioria, para servir aos deuses (oferecendo alimento e trabalho) para que os próprios deuses pudessem descansar.

A Contribuição para o Ocidente: O historiador demonstra as afinidades e as diferenças entre essas narrativas arcaicas e as que seriam posteriormente registradas no Gênesis bíblico (como o dilúvio, a criação do homem a partir da argila e a organização do cosmos).

🔍 A revelação do homem mesopotâmico

O maior mérito da obra é usar o estudo dos mitos para acessar a mentalidade e a psicologia do homem mesopotâmico de forma profunda:

Humanização dos deuses: Bottéro destaca que, para os mesopotâmicos, os deuses eram notavelmente humanos. Eles tinham temperamentos voláteis, precisavam comer (alimentados pelos sacrifícios dos humanos), se irritavam, se apaixonavam e tinham inveja. Essa humanização refletia a visão que o próprio homem tinha de si e de seus governantes.

O problema da existência: Os mitos não forneciam apenas narrativas de criação, mas ofereciam respostas angustiantes sobre a fragilidade da condição humana e a inevitabilidade do sofrimento e da morte. O ser humano era visto como um ser temporário e subordinado às vontades divinas, criado para aliviar o trabalho dos deuses.

📜 Bottéro e a Bíblia

Embora o foco primário seja a Mesopotâmia, o trabalho de Bottéro é crucial para a exegese bíblica e a compreensão das origens culturais do Gênesis:

Ele demonstra que o Antigo Testamento não surgiu em um vácuo cultural. O Livro de Gênesis e o mito do Dilúvio, por exemplo, mostram afinidades temáticas claras com narrativas mesopotâmicas muito mais antigas (como as presentes no Enuma Elish e no Épico de Gilgamesh).

Bottéro não sugere que a Bíblia seja uma cópia, mas sim que os autores bíblicos estavam dialogando com, e reinterpretando o rico patrimônio mítico e religioso do Antigo Oriente Próximo ao redor deles, transformando-o em um contexto monoteísta.

A obra é essencial para quem busca as fontes mais antigas das crenças sobre a origem e a relação entre o divino e o humano no Ocidente.

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