| Edição: 21ª |
| Publicação: 17 de janeiro de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 416 |
| Peso: 0.610 kg |
| Dimensões: 23.6 x 15.8 x 2.8 cm |
| Formato: Capa dura |
| ISBN-10: 8520936687 |
| ISBN-13: 9788520936689 |
Quer comprar este livro?
Comprar LivroA obra História do pensamento ocidental, de Bertrand Russell, figura como um dos marcos mais ambiciosos da literatura intelectual do século XX. Escrita com a clareza analítica que rendeu ao autor o Prêmio Nobel de Literatura, a obra não se limita a ser um inventário cronológico de ideias, mas propõe uma interpretação crítica das conexões entre as especulações filosóficas e as condições sociais e políticas de cada época. Russell conduz o leitor desde o nascimento do pensamento racional na Grécia Antiga até as correntes lógicas e linguísticas de sua própria era, tratando a filosofia não como um exercício isolado em uma torre de marfim, mas como um elemento dinâmico da evolução histórica.
O autor divide sua explanação em três grandes blocos: a Filosofia Antiga, a Filosofia Católica e a Filosofia Moderna. Em cada seção, Russell demonstra sua habilidade em sintetizar sistemas complexos — de Platão a Leibniz, de Kant a Marx — sem sacrificar o rigor intelectual, embora sempre mantendo seu característico ceticismo e seu compromisso com a investigação científica.
O que distingue este volume único de outros compêndios do gênero é a voz onipresente de Russell. Ele não mascara suas inclinações; pelo contrário, utiliza seu viés como uma ferramenta para desmistificar figuras históricas e examinar como o temperamento de cada pensador influenciou suas conclusões metafísicas. Para Russell, os filósofos são simultaneamente produtos de sua sociedade e agentes que moldam o futuro dessa mesma sociedade. Ele dedica passagens memoráveis ao impacto do poder eclesiástico na Idade Média e à forma como o subjetivismo moderno alterou a percepção humana sobre a realidade e a ética.
A obra é permeada por um humor fino e uma ironia elegante, especialmente quando o autor aponta as contradições lógicas de seus predecessores. Ao analisar o desenvolvimento do pensamento político e social, ele estabelece uma ponte contínua que ajuda o leitor a compreender como as abstrações de outrora fundamentam as instituições e os conflitos do mundo contemporâneo.
Ler História do pensamento ocidental é participar de um diálogo direto com um dos maiores lógicos da história. Embora alguns estudiosos contemporâneos apontem que Russell por vezes simplifica certas correntes — como o idealismo alemão ou o existencialismo — a obra permanece insuperável como porta de entrada para a disciplina. A precisão técnica e a fluidez da prosa garantem que o texto seja acessível ao leigo, ao mesmo tempo que oferece insights valiosos para o especialista.
O livro encerra-se com a filosofia da análise lógica, defendida por Russell como o método capaz de conferir à filosofia a mesma objetividade das ciências naturais. É, em última análise, um testemunho da crença inabalável do autor na razão como o instrumento mais eficaz para a compreensão da existência humana e a organização da sociedade.